Uva gigante japonesa ganha versão brasileira em SP
Vídeos de uma uva verde gigante viralizaram nas redes sociais recentemente. O interesse aumentou depois que uma influenciadora mostrou a fruta, conhecida como u

Vídeos de uma uva verde gigante viralizaram nas redes sociais recentemente. O interesse aumentou depois que uma influenciadora mostrou a fruta, conhecida como uma das uvas mais caras do mundo, durante uma viagem à Ásia. O que chamou a atenção dos internautas foi a descoberta de que uma variedade parecida já é cultivada no Brasil, em Pilar do Sul, no interior de São Paulo.
A fruta é considerada uma das pioneiras no segmento de uvas gourmet no Brasil. Tamon Morioka, representante de marketing da cooperativa APPC, responsável pela marca e patente da Pilar Moscato, disse que essa classificação surgiu de forma natural. “No Brasil, esse conceito de frutas gourmet não existia. As pessoas compravam muito pelo preço e pouco pela aparência. O sabor mesmo não era tão valorizado. Foi aí que começamos a trabalhar com foco em sabor e qualidade”, afirmou.
O sabor adocicado impulsionou a fama da variedade. Quando atinge o ponto ideal de maturação, a fruta pode ter índice de doçura maior que o da cana-de-açúcar. Na escala Brix, que mede a concentração de açúcares, a uva chega a 18 graus, enquanto a cana costuma ter índices próximos de 16. Tamon explicou o processo de seleção: “Se você pegar uma uva comum no mercado hoje, ela normalmente chega a 14 graus Brix. A nossa precisa ser colhida com 18. Só que apenas entre 20% e 30% da produção consegue atingir esse nível de doçura, porque isso depende de muitos fatores externos”.
Além da doçura, a baga precisa ter no mínimo 24 milímetros de diâmetro para ser classificada como Pilar Moscato. Os cachos que não atingem os padrões são vendidos com outra classificação. O cultivo é parecido com o de outras uvas, mas exige mais trabalho manual. “Para as uvas convencionais, normalmente é passado um pente no cacho para fazer o raleio. Já na pilar moscato, ela não aceita esse pente, porque é muito sensível. A gente tem que fazer o desbaste na mão, na tesoura”, disse Tamon.
O clima e fatores externos afetam a qualidade da fruta. O período ideal de colheita é curto, e o volume de chuvas influencia a doçura. Janeiro e fevereiro são os melhores meses para colheita e venda, embora a safra vá até maio. A cooperativa planeja estudar o cultivo em outras regiões do Brasil para ampliar a produção e permitir colheitas em diferentes épocas.
Diferenças para a versão japonesa
A cultivar brasileira tem origem japonesa, mas o clima e o tamanho das plantações criaram diferenças. No Japão, a produção da shine muscat é feita por pequenos produtores, que dão mais atenção ao trabalho manual. Tamon disse que a produção em Pilar do Sul tenta se aproximar do modelo japonês, mas as áreas maiores deixam a Pilar Moscato com características distintas. “A gente tenta fazer a formação do cacho perfeito, mas o clima é diferente e aqui as nossas áreas são maiores, então não conseguimos dar 100% de atenção para cada um dos cachinhos”, afirmou.
O clima brasileiro também influencia a textura. A Pilar Moscato tem mais polpa que uvas comuns, o que dá uma crocância maior. Tamon destacou que um amigo do Japão prefere a versão brasileira. “Ele vem direto para o Brasil e fala que prefere comer a nossa do que a do Japão. Fala que a nossa tem uma crocância maior”, contou.


