Lodo de esgoto vira insumo e eleva produtividade em 20%
Um programa de gestão sustentável do saneamento no Paraná transforma o lodo gerado no tratamento de esgoto doméstico em insumo agrícola. O material, chamado de

Um programa de gestão sustentável do saneamento no Paraná transforma o lodo gerado no tratamento de esgoto doméstico em insumo agrícola. O material, chamado de biossólido, é usado para correção e adubação do solo e já é aplicado em propriedades rurais do estado.
O processo é desenvolvido pela Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) desde as décadas de 1980 e 1990. Atualmente, o sistema está estruturado em 32 cidades paranaenses, com unidades que atendem desde a Região Metropolitana de Curitiba até o interior.
Segundo o engenheiro agrônomo Rebert Skalisz, o objetivo inicial era encontrar uma alternativa para o descarte do resíduo, que antes era limitado aos aterros sanitários. "Não se tinha um caminho adequado para se destinar esse resíduo do tratamento do esgoto", explicou.
Processo leva cerca de três meses
Antes de chegar às lavouras, o biossólido passa por etapas de tratamento nas Unidades de Gerenciamento de Lodo (UGLs). O material é retirado do tratamento de esgoto, passa por deságue e higienização com adição de cal virgem. Esse processo elimina agentes patogênicos, como coliformes termotolerantes, ovos de helmintos e salmonela.
A cal adicionada ao lodo também atua na correção da acidez do solo. Skalisz afirma que o potencial corretivo pode superar o do calcário tradicional em algumas situações. O ciclo de preparo e controle do material leva aproximadamente três meses e segue os critérios da Instrução Normativa nº 38 de 2025, do Instituto Água e Terra (IAT).
Insumo fornece nutrientes e melhora o solo
O biossólido é rico em matéria orgânica e nutrientes como nitrogênio, fósforo, enxofre, cobre e zinco. O material melhora as propriedades físicas, químicas e biológicas do solo, aumenta a retenção de água e contribui para maior resistência das lavouras em períodos de estiagem.
Skalisz afirma que os produtores atendidos relatam ganhos de produtividade entre 15% e 20%. "Em períodos de estiagem, os produtores relataram que a planta não envergou", destacou. Um exemplo citado ocorreu em uma área de conversão florestal em Inácio Martins, na região de Guarapuava, onde a primeira safra de feijão apresentou desenvolvimento superior nas áreas tratadas.
Aplicação segue regras rígidas
O uso agrícola do biossólido exige acompanhamento técnico e projeto agronômico específico para cada propriedade. Antes da aplicação, é feita análise de solo para definir a dose adequada, considerando fatores como necessidade de correção do pH e limites de metais pesados previstos em legislação.
A recomendação é que a aplicação ocorra entre 15 e 30 dias antes do plantio. No Paraná, o biossólido não pode ser utilizado em hortaliças e tubérculos. A restrição estadual é mais rigorosa que a legislação federal. Culturas como soja, milho, trigo, cevada, café, laranja, eucalipto e pinus estão entre as autorizadas para aplicação. O material também pode ser usado em áreas de integração lavoura-pecuária, respeitando os períodos de carência estabelecidos.


