Paraná tem 69 municípios aptos para cultivo de oliveiras
Um estudo da Embrapa Florestas e do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) identificou 69 municípios no estado com condições climáticas favor

Um estudo da Embrapa Florestas e do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) identificou 69 municípios no estado com condições climáticas favoráveis para o cultivo comercial de oliveiras. O levantamento foi publicado no Boletim Técnico nº 110 e divulgado nesta quinta-feira (29). A pesquisa reuniu mais de 30 anos de dados meteorológicos para reduzir incertezas na implantação de pomares.
As áreas de menor risco climático estão concentradas nos Campos Gerais, Centro-Sul, Sudoeste e Sul do Paraná. Entre os municípios citados estão Guarapuava, Palmas, Pato Branco, São Mateus do Sul e União da Vitória. A aptidão climática foi definida a partir da análise de horas de frio, umidade, chuva e risco de geada.
O pesquisador da Embrapa Florestas Marcos Silveira Wrege, primeiro autor do zoneamento, afirmou que a oliveira não pode ser implantada em qualquer ambiente. Segundo ele, as regiões serranas do estado apresentam a combinação mais favorável de altitude, temperaturas e umidade relativa do ar. O boletim informa que as classes mais adequadas são aquelas com acúmulo de 400 a 1.000 horas de frio, condição importante para o florescimento e a brotação.
O estudo também aponta limites climáticos para a cultura. A oliveira necessita de temperaturas inferiores a 12,5 °C entre abril e julho para a indução floral. Umidade acima de 80% ou chuvas superiores a 50 milímetros durante o florescimento podem comprometer a polinização. O material ainda alerta para o risco de geadas tardias em setembro, que podem atingir a floração.
A engenheira-agrônoma e extensionista do IDR-Paraná Laís Gomes Adamuchio de Oliveira destacou que o sucesso da atividade depende da associação entre a cultivar e o ambiente. O boletim indica as variedades Arbequina, Arbosana, Koroneiki e Grappolo como promissoras para o estado. Essas variedades apresentam menor exigência de frio e maior resistência a doenças, como a antracnose.
Na avaliação técnica dos autores, o zoneamento funciona como uma ferramenta de planejamento para a agricultura familiar e para empreendimentos de maior escala. A recomendação é iniciar com áreas menores e ampliar os plantios conforme o desempenho produtivo e a adaptação do manejo local.
O boletim técnico indica que a consolidação da olivicultura no Paraná dependerá de manejo adaptado ao clima subtropical, melhoramento genético e escolha criteriosa das áreas de plantio. Sem esse conjunto de fatores, o estudo não recomenda generalizar a expansão da cultura fora das zonas de menor risco identificadas.


