Brasileiro e açúcar no café: hábito explicado
Uma pesquisa da Nestlé, chamada Cup 2025 Local Insights Report – Brasil: Panorama Geral e Comportamento do Consumidor, mostrou que o principal motivo para os br

Uma pesquisa da Nestlé, chamada Cup 2025 Local Insights Report – Brasil: Panorama Geral e Comportamento do Consumidor, mostrou que o principal motivo para os brasileiros tomarem café é o prazer. O estudo indica que 41% das pessoas bebem café por gostar da experiência, enquanto 33% fazem isso por necessidade, como para acordar.
Para a Coffee Ambassador da Nespresso, Tatiana Nakamura, essa relação afetiva explica por que não existe um jeito certo de tomar café. Ela disse que é comum ouvir consumidores perguntando se é errado adoçar a bebida ou colocar leite. Nakamura afirmou que essas escolhas são pessoais. “Café é um momento de prazer, tem que ser do jeito que você gosta. Com açúcar, adoçante, leite, gelado ou quente, tudo bem”, declarou.
A especialista lembrou o caso de uma cliente que colocou três sachês de adoçante no café em uma cafeteria. “Ela tomou aquele café como se fosse o melhor da vida. Para ela, estava perfeito”, comentou.
O hábito de adoçar o café
Segundo Nakamura, o costume de adoçar o café faz parte da cultura brasileira. Muitas pessoas cresceram tomando café coado com açúcar e mantiveram esse hábito. Ela explicou que esse comportamento também está ligado à qualidade do produto. Cafés de menor qualidade, como os tradicionais e extrafortes, costumam ter mais defeitos sensoriais, como amargor. Isso leva o consumidor a usar açúcar para esconder esses sabores.
Nakamura disse que o café é formado por camadas. O que chega à xícara é apenas a semente do fruto. A casca, o pergaminho e a película são retirados no processamento. Ela destacou que existem duas principais espécies de café: o arábica, que tem mais complexidade sensorial, e o canéfora (que inclui robusta e conilon), geralmente de corpo mais intenso.
No caso da Nespresso, a seleção é feita com cafés especiais, que têm maior qualidade sensorial e menos defeitos. A especialista explicou que o café especial é feito com frutos maduros, que têm mais açúcares naturais e são naturalmente mais doces.
Defeitos no sabor
A especialista falou sobre a diferença entre cafés especiais e os tradicionais ou extrafortes. Grãos com defeitos, como verdes, pretos, mofados ou ardidos, podem estragar o sabor da bebida. Ela afirmou que esses grãos ainda são encontrados em cafés de menor qualidade no mercado. Já os cafés especiais passam por uma seleção rigorosa para eliminar essas imperfeições.
Desperdício
Nakamura lembrou que é comum preparar uma garrafa inteira de café e jogar o restante fora horas depois. “A gente joga café na pia com muita facilidade, mas esquece que ele é uma fruta e que passou por um longo processo”, disse. Para ela, ver o café como alimento é importante para reduzir o desperdício. “Se fosse metade de uma garrafa de leite, talvez a gente pensasse duas vezes antes de jogar fora”, comparou.
Desafio do produtor
O café é o resultado de uma cadeia produtiva complexa, com meses de trabalho no campo. Segundo Nakamura, grande parte do processo ainda depende da colheita manual, especialmente nas regiões montanhosas do sul de Minas Gerais, onde a mecanização é limitada. “O principal desafio do produtor hoje é a mão de obra”, afirmou. Ela disse que, mesmo em propriedades mecanizadas, é difícil encontrar operadores qualificados, e a escassez de trabalhadores é ainda maior nas áreas de colheita manual.


