Agro brasileiro: o desafio de alimentar um mundo que mudou
Durante décadas, o Brasil aprendeu a medir a força do agronegócio por indicadores como produtividade, área plantada, safras recordes e exportações. Foi assim qu

Durante décadas, o Brasil aprendeu a medir a força do agronegócio por indicadores como produtividade, área plantada, safras recordes e exportações. Foi assim que o país se tornou uma potência agrícola reconhecida mundialmente.
No entanto, uma nova mudança já começou. A pergunta não é mais apenas quanto alimento o mundo será capaz de produzir, mas sim quais alimentos o mundo vai querer consumir.
O comportamento das pessoas mudou. Nunca se falou tanto em qualidade de vida, longevidade e alimentação saudável. O consumo de proteína cresce em praticamente todos os mercados. Medicamentos como Mounjaro e Ozempic estão mudando a relação de milhões de pessoas com a comida. Quem utiliza essas terapias costuma comer menos, mas escolhe melhor o que coloca no prato.
Cada refeição precisa entregar mais valor. É nesse cenário que alimentos como feijões, lentilhas, ervilhas, grão-de-bico e gergelim ganham importância. Eles são nutritivos e reúnem características que o consumidor moderno procura: proteína, fibras, minerais, versatilidade e sustentabilidade.
O Brasil está em posição privilegiada. O país produz praticamente o ano inteiro, domina tecnologias para agricultura tropical e tem produtores altamente eficientes. Poucos países conseguem reunir tantas vantagens.
Existe um desafio que merece a mesma atenção dedicada às exportações. Antes de convencer o mundo sobre o valor dos alimentos brasileiros, é preciso convencer os próprios brasileiros. Muitos jovens conhecem muito mais sobre alimentos ultraprocessados do que sobre a riqueza nutricional de um prato de feijão.
O próximo passo do agronegócio brasileiro seria o "Agroalimento". Não se trata de substituir um conceito pelo outro. O agronegócio continuará sendo a base da força do país. O Agroalimento é uma evolução dessa visão. Significa integrar produção, ciência, nutrição, inovação, sustentabilidade e confiança. O verdadeiro valor não está apenas na quantidade produzida, mas também na capacidade de entregar saúde e qualidade de vida.
O Brasil já aprendeu a alimentar o mundo. Agora tem a oportunidade de mostrar que também sabe alimentar melhor. Essa transformação começa no prato de cada brasileiro.
*Marcelo Lüders é presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), e atua na promoção do feijão brasileiro no mercado interno e internacional
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