Soja sobe em julho, mas clima e custos preocupam safra 26/27
Julho foi um mês positivo para o mercado brasileiro de soja. Os preços subiram nas principais praças do país, acompanhando o comportamento dos contratos futuros

Julho foi um mês positivo para o mercado brasileiro de soja. Os preços subiram nas principais praças do país, acompanhando o comportamento dos contratos futuros na Bolsa de Chicago. O ritmo dos negócios melhorou, apesar do câmbio desfavorável, e os prêmios seguiram firmes, o que ajudou a consolidar o bom momento.
Preços no Brasil
Em Passo Fundo (RS), a saca subiu de R$ 129,00 para R$ 140,00 durante o mês. Em Cascavel (PR), o valor passou de R$ 124,00 para R$ 134,00. Já em Rondonópolis (MT), a cotação subiu de R$ 115,00 para R$ 127,00. No Porto de Paranaguá, o preço foi de R$ 135,00 para R$ 145,00.
Chicago
Na Bolsa de Chicago, os contratos com vencimento em novembro, os mais negociados, tiveram alta mensal de 4,26%. Na manhã do dia 31, eram negociados a US$ 11,92 por bushel. No melhor momento de julho, a cotação superou a casa de US$ 12,50, atingindo os melhores patamares em mais de dois anos.
Três fatores contribuíram para os ganhos em Chicago. O petróleo voltou a subir com o aumento da tensão no Oriente Médio. A demanda chinesa pelo produto americano se aqueceu. E boletins apontando clima seco e altas temperaturas sobre o cinturão produtor dos Estados Unidos garantiram picos típicos desse mercado de clima. Agosto promete muita volatilidade, pois é o período crítico para a formação do potencial produtivo da safra americana.
Plantio da soja
O analista e consultor de Safras & Mercado, Rafael Silveira, afirma que a intenção de plantio da nova safra brasileira de soja apresenta desafios para 2027. Ainda assim, há perspectiva de aumento da produção, desde que não ocorram problemas climáticos relevantes.
Por um lado, há potencial para novos avanços de área, principalmente nos estados do Centro-Oeste. "É o caso de Mato Grosso, que mantém uma expectativa de expansão de aproximadamente 1,5% na área cultivada", pontua o consultor. Segundo ele, mesmo com margens mais apertadas, as elevadas produtividades das últimas safras melhoraram a relação entre custos e receitas. Isso permite que a atividade continue economicamente viável, ainda que com rentabilidade mais limitada. "Goiás segue uma dinâmica semelhante, embora a situação dos produtores seja mais fragilizada", exemplifica.
Por outro lado, o clima é um dos principais fatores de preocupação para a temporada. A expectativa de um evento de El Niño mais intenso levanta riscos para a safra brasileira, especialmente por sua maior influência estar prevista para meses decisivos ao desenvolvimento da cultura. "Caso esse cenário se confirme, poderá haver impacto negativo sobre os níveis de produtividade", destaca Silveira.
A Safras & Mercado não trabalha com quebras de safra antecipadamente, adotando essa premissa apenas quando há evidências concretas de perdas no campo. "No entanto, nossa expectativa é de produtividades potenciais inferiores às observadas na última temporada para a maioria das regiões", afirma.
Além do risco climático, os custos de produção seguem elevados, principalmente por causa da alta dos fertilizantes no primeiro semestre. "Esse cenário pode levar parte dos produtores a reduzir o nível de investimento em tecnologia e manejo, fator que tende a limitar o potencial produtivo da safra 2026/27", explica.


