Safra 26/27 de soja: produção positiva exige atenção
Com o fim do vazio sanitário da soja em setembro em parte do país, os produtores rurais já se preparam para a safra 2026/27. O período, que proíbe a presença de

Com o fim do vazio sanitário da soja em setembro em parte do país, os produtores rurais já se preparam para a safra 2026/27. O período, que proíbe a presença de plantas vivas de soja nas lavouras para reduzir a incidência da ferrugem asiática, termina em datas diferentes conforme a região.
Em Mato Grosso, o vazio sanitário termina em 6 de setembro. Amazonas e Rondônia encerram o período em 10 de setembro, seguidos por Mato Grosso do Sul (15 de setembro) e Acre (20 de setembro). Goiás finaliza em 24 de setembro, enquanto Rio de Janeiro (28 de setembro), Distrito Federal, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Tocantins encerram em 30 de setembro.
Nos estados da Bahia, Maranhão, Pará, Paraná, Piauí, Santa Catarina e São Paulo, parte das áreas também conclui o vazio sanitário ao longo de setembro. Já Alagoas, Amapá, Ceará e Roraima seguem calendários diferentes, com o período encerrado apenas entre janeiro e março de 2027.
O que esperar da safra 26/27
Para o sócio-diretor da Cogo Inteligência em Agronegócio, Carlos Cogo, o início da safra 2026/27 ocorre em um cenário de expectativa positiva para a produção, mas também de maior cautela por parte dos produtores. Ele afirma que o Brasil deve manter uma área em expansão, embora em um ritmo mais moderado do que em anos anteriores, impulsionado pela busca por ganhos de produtividade e recuperação da rentabilidade em algumas regiões. Ao mesmo tempo, o ambiente de mercado continua desafiador, exigindo um planejamento cuidadoso.
El Niño no centro das atenções
Segundo Cogo, o principal fator de atenção para a próxima temporada é o comportamento do clima, especialmente diante da possibilidade de atuação do El Niño. Ele explica que o produtor inicia a temporada acompanhando de perto as previsões para o fenômeno, que hoje aparece como o principal fator de risco para a safra.
No Sul do país, o fenômeno tende a favorecer a distribuição das chuvas, beneficiando Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, desde que não ocorram excessos. Já no Centro-Oeste, existe risco moderado de veranicos durante fases importantes do desenvolvimento da cultura, especialmente em fevereiro.
A maior preocupação, porém, está concentrada no Matopiba. Segundo Cogo, Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia podem enfrentar redução das chuvas durante o enchimento de grãos, entre janeiro e março de 2027, comprometendo a produtividade das lavouras de sequeiro caso os períodos secos se confirmem.
Outro ponto de atenção envolve a logística na região Norte. Uma eventual redução no nível dos rios amazônicos poderá limitar o transporte pela Hidrovia do Madeira e pelos portos do Arco Norte durante o pico da colheita, elevando custos de frete e reduzindo a competitividade das exportações brasileiras.
Custos de produção
Em relação aos custos de produção, Cogo avalia que o cenário está mais confortável do que em anos anteriores, mas ainda requer cautela. Ele destaca que o mercado internacional de fertilizantes segue acompanhando as tensões geopolíticas e a oferta global. Como o Brasil continua altamente dependente das importações, qualquer problema logístico ou restrição de oferta pode provocar novas oscilações de preços. Por isso, muitos produtores já anteciparam parte das compras para reduzir essa exposição.
Comercialização de soja
Na comercialização, a recomendação também é de atenção. Segundo o especialista, o mercado seguirá influenciado pelos estoques globais elevados, pela ampla oferta sul-americana, pela demanda chinesa, pelo câmbio e pelas políticas comerciais internacionais. A tendência é de bastante volatilidade, reforçando a importância de aproveitar oportunidades de mercado sempre que elas surgirem.
Para Cogo, o produtor inicia a nova safra com postura financeira mais conservadora após dois anos de margens apertadas em diversas regiões do país. A prioridade passa pela gestão de risco, controle dos custos e disciplina na comercialização. Diante desse cenário, o analista avalia que a safra 2026/27 reúne condições para um bom desempenho produtivo, mas o resultado dependerá não apenas do clima, mas também da capacidade do produtor de administrar riscos climáticos, financeiros e comerciais ao longo da temporada.


