Queda de preços no campo: quando chega ao seu prato?
Quando o preço de um alimento sobe no campo, o consumidor costuma sentir a diferença no supermercado em pouco tempo. A notícia de que a safra será menor ou de q

Quando o preço de um alimento sobe no campo, o consumidor costuma sentir a diferença no supermercado em pouco tempo. A notícia de que a safra será menor ou de que os preços estão reagindo percorre a cadeia rapidamente, e o atacado reage na mesma velocidade. Mas o caminho contrário, quando o preço cai na roça, parece ser bem mais lento.
O presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), Marcelo Lüders, chama a atenção para essa diferença. Segundo ele, não se trata de apontar culpados, mas de entender uma cadeia que envolve transporte, classificação, embalagem, impostos, estoques comprados anteriormente, perdas, custo financeiro, distribuição e margem. Todos esses fatores existem e precisam ser considerados.
Lüders acompanha o mercado do feijão de perto e afirma que, em alguns momentos, o produto perde R$ 50, R$ 80 ou até mais por saca na origem em um período curto. O produtor sabe, o comprador sabe, mas o consumidor não percebe essa queda na mesma intensidade. A pergunta que ele considera justa é: se caiu na roça, quanto tempo demora para cair no supermercado?
Para responder a essa questão, o Ibrafe estuda criar um acompanhamento do custo do prato feito em algumas capitais brasileiras. A ideia é medir, toda semana, o preço de itens como arroz, feijão, carne bovina, carne suína, frango, ovos, verduras e legumes em cidades como Curitiba, São Paulo, Belo Horizonte e Recife. Em paralelo, o projeto vai acompanhar o que acontece no campo.
Com o tempo, a intenção é medir quanto tempo uma alta ou uma queda leva para sair da origem e chegar ao consumidor. Isso pode mostrar que algumas percepções atuais estão erradas. Alguns alimentos podem transmitir rapidamente tanto a alta quanto a queda. Outros podem demorar semanas. Em alguns casos, o problema pode estar no estoque comprado anteriormente. Em outros, na logística.
Lüders também destaca o lado do produtor. Muitas vezes, ele vê seu produto cair fortemente de preço e, pouco depois, escuta que aquele mesmo alimento continua caro no supermercado. A sensação de quem está recebendo menos na roça e sendo apontado, ainda que indiretamente, como responsável pela comida cara é ruim. Por isso, ele defende que o consumidor acompanhe mais de perto o preço daquilo que coloca no carrinho, não somente quando sobe, mas principalmente quando cai.


