Noz-pecã: exportação perde ritmo com entraves externos
A exportação da noz-pecã brasileira enfrenta um momento de desaceleração devido a uma combinação de fatores externos. Problemas logísticos, novas exigências san

A exportação da noz-pecã brasileira enfrenta um momento de desaceleração devido a uma combinação de fatores externos. Problemas logísticos, novas exigências sanitárias e incertezas comerciais estão entre os principais entraves que afetam os embarques para o mercado internacional, de acordo com o Instituto Brasileiro de Pecanicultura (IBPecan).
O presidente do IBPecan, Claiton Wallauer, aponta os conflitos no Oriente Médio como um dos fatores que mais impactaram a logística. A instabilidade na região reduziu a disponibilidade de contêineres e elevou os custos dos fretes marítimos, dificultando as negociações com compradores. “O custo logístico aumentou bastante e isso acabou reduzindo um pouco o ritmo das exportações”, explica.
O setor também monitora as incertezas em torno da política comercial dos Estados Unidos. Ainda não há definição sobre os efeitos das tarifas anunciadas pelo governo norte-americano para produtos sul-americanos. Wallauer avalia que, apesar da preocupação, o cenário pode abrir oportunidades para a pecã brasileira. Isso porque Estados Unidos e México tiveram uma safra menor no último ciclo, o que pode manter os preços internacionais em patamares elevados.
Novas regras na Europa
Outro ponto de atenção são as novas regras sanitárias e fitossanitárias adotadas pela Europa para a importação de nozes. Segundo Wallauer, as mudanças têm dificultado os embarques para o continente. “Isso está impactando bastante no mundo inteiro para conseguir exportar nozes para a Europa”, destaca. A expectativa do setor é que essas exigências sejam revistas para permitir a retomada das vendas.
Enquanto isso, a Ásia segue com negociações mais lentas, e o setor busca ampliar a presença da noz-pecã brasileira em novos mercados. Apesar dos desafios, a projeção para a próxima safra é positiva, com expectativa de produção entre 6,5 mil e 7 mil toneladas em 2026, impulsionada pela entrada de novos pomares em fase produtiva.
A avaliação do IBPecan é de que o cenário deve começar a melhorar entre julho e agosto. “Acreditamos que em julho e agosto o mercado vai se estabilizar novamente e vão abrir novas portas para as nozes brasileiras”, conclui Wallauer.


