MP processa Nutratta por morte de 238 cavalos com ração contaminada
O Ministério Público e a Promotoria de Justiça do Consumidor ajuizaram uma ação civil pública na última sexta-feira (22) contra a fábrica de nutrição animal Nut

O Ministério Público e a Promotoria de Justiça do Consumidor ajuizaram uma ação civil pública na última sexta-feira (22) contra a fábrica de nutrição animal Nutratta e seu proprietário. A ação é motivada pela morte de dezenas de cavalos e pelo adoecimento de centenas de equídeos em um haras de Indaiatuba, no interior de São Paulo, e em outros estabelecimentos pelo país.
Entre os pedidos feitos à Justiça estão o bloqueio de ativos dos réus, a proibição de retomada das atividades da empresa antes do cumprimento de exigências do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a realização de recall dos produtos contaminados, a indenização dos consumidores prejudicados e o pagamento de R$ 10 milhões por danos morais coletivos.
Investigações apontam que a empresa usou resíduos de soja contaminados com alcaloides pirrolizidínicos na fabricação de rações para equinos, bovinos, suínos e aves. Laudos laboratoriais e necropsias indicaram a presença dessas substâncias em concentrações até 2.600 vezes superiores ao limite considerado seguro para cavalos.
Registro de mortes em diversas cidades
Dados do Mapa confirmam 238 mortes de equídeos em diferentes estados. Em um haras de Indaiatuba, foram registradas 29 mortes e cerca de 120 animais adoecidos. Em Atalaia, Alagoas, 79 animais morreram após consumir ração da empresa. Há também relatos de óbitos e adoecimentos em propriedades de Campinas, Itu, Porto Feliz, Volta Redonda e Jaboticatubas, todas em São Paulo.
A ação destaca que a contaminação pode ter atingido a cadeia alimentar humana, pois a empresa fabricava ração bovina na mesma linha de produção, sem mecanismos eficazes de controle de contaminação cruzada. Auditoras do Mapa alertaram para o risco de transmissão dos alcaloides tóxicos por leite, carne e fígado de animais alimentados com os produtos contaminados.
A reportagem do Canal Rural entrou em contato com a Nutratta, mas não obteve retorno até o momento da publicação.


