Javalis reviram lavouras de soja; Famato ensina a reduzir prejuízos
Os sojicultores brasileiros ganharam uma nova preocupação para a safra 2026/27: os javalis. Atraídos por alimento, água e abrigo nas matas vizinhas, os animais

Os sojicultores brasileiros ganharam uma nova preocupação para a safra 2026/27: os javalis. Atraídos por alimento, água e abrigo nas matas vizinhas, os animais deixam as áreas de vegetação para invadir as lavouras, onde reviram o solo, desenterram sementes e comprometem o desenvolvimento da cultura logo nos primeiros dias após o plantio.
O coordenador da Comissão de Meio Ambiente da Famato e presidente do Sindicato Rural de Cláudia (MT), Zilto Donadello, explica que os prejuízos começam ainda na semeadura. "Os javalis são destrutivos em todas as fases da cultura, inclusive no plantio. Eles possuem um faro capaz de detectar sementes e raízes a até 30 cm de profundidade. Esse comportamento de 'fuçar' o subsolo faz com que o animal desenterre sementes e raízes, destrua a estrutura física do solo e atinja diretamente as linhas de semeadura e os grãos", afirma.
Segundo ele, esse comportamento compromete gravemente a lavoura e pode levar à destruição sistemática das áreas produtivas, inclusive de nascentes de água. Os danos, porém, não se restringem ao período de plantio. Donadello afirma que os javalis continuam causando prejuízos durante todo o desenvolvimento da cultura. "Os javalis são pragas exóticas com elevado potencial de causar danos ao meio ambiente e à produção. Por isso, continuam sendo um problema durante todo o desenvolvimento da planta, agindo como um 'sócio indesejado' que pode inviabilizar talhões inteiros", diz.
O problema já está espalhado por praticamente todo o país, mas é mais intenso nas regiões de maior produção agrícola, especialmente no Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Segundo Donadello, Mato Grosso é um dos estados que mais preocupam. Ele explica que há uma mobilização para garantir maior autonomia legislativa, permitindo que o produtor realize o controle da praga de forma menos burocrática.
Diferentes formas de perigo
Além dos prejuízos às lavouras, o coordenador alerta que o crescimento da população de javalis também representa riscos à pecuária, à fauna nativa e às exportações brasileiras. Segundo ele, com o aumento da população, os ataques de javalis a pessoas, animais domésticos e espécies da fauna nativa têm se tornado mais frequentes. Além disso, os animais podem atuar como vetores de doenças graves, como a Peste Suína Clássica, a Peste Suína Africana e a Febre Aftosa, que podem fechar as fronteiras internacionais para a exportação da carne brasileira.
Como reduzir os impactos
Para reduzir os prejuízos, a Famato orienta que o manejo seja realizado dentro das normas do Ibama e recomenda ações integradas entre propriedades vizinhas. Pelas regras estabelecidas nas Instruções Normativas Ibama nº 03/2013 e nº 12/2019, produtores e controladores parceiros devem estar cadastrados no Cadastro Técnico Federal, possuir autorização emitida pelo Sistema de Informação de Manejo de Fauna (Simaf) e contar com a permissão formal do proprietário da área cadastrada no CAR. O órgão ambiental também proíbe o transporte de animais vivos e a comercialização da carne, devido ao risco de zoonoses e à ausência de inspeção sanitária.
Pelas recomendações de campo difundidas pela Famato, além da caça, as estratégias que apresentam os melhores resultados combinam a captura coletiva em armadilhas de grande porte para a eliminação dos bandos. A entidade também orienta o enterro sanitário das carcaças e a atuação conjunta entre propriedades vizinhas para evitar que os javalis apenas migrem de uma fazenda para outra. A Famato também defende mudanças na legislação para tornar o controle mais eficiente. "A estratégia nacional precisa ser modernizada para conferir segurança jurídica, agilidade e eficiência operacional ao produtor e aos controladores legalizados", conclui Donadello.


