Javali: ameaça que o Brasil não pode mais ignorar
O avanço dos javalis pelo território brasileiro deixou de ser um problema restrito às propriedades rurais. Em várias regiões, produtores relatam lavouras destru

O avanço dos javalis pelo território brasileiro deixou de ser um problema restrito às propriedades rurais. Em várias regiões, produtores relatam lavouras destruídas, cercas danificadas, nascentes degradadas e prejuízos crescentes. Mas há um risco que preocupa ainda mais: a sanidade animal.
O Brasil construiu, ao longo de décadas, um sistema de defesa sanitária reconhecido mundialmente. Esse trabalho abriu mercados e consolidou o país como potência na exportação de carnes. O javali, por ser uma espécie exótica invasora, pode servir de reservatório para doenças de alto impacto na produção animal, como a peste suína africana, além de brucelose e leptospirose.
Mesmo que algumas dessas enfermidades não estejam presentes no país, a experiência internacional mostra que a prevenção é mais barata do que o controle de uma crise sanitária.
A legislação permite o controle
Há quem acredite que a lei impede o controle dos javalis. Não é verdade. A legislação brasileira autoriza o manejo e o controle populacional, desde que respeitadas as regras técnicas e ambientais. O problema é que o modelo atual não acompanha a velocidade de reprodução e dispersão da espécie.
O produtor controla os animais na sua área, mas logo novos bandos chegam de regiões vizinhas. O esforço, muitas vezes, se mostra insuficiente.
Mudança de estratégia
O enfrentamento não pode ser responsabilidade apenas do produtor rural. A questão é ambiental, econômica e sanitária. A solução exige ação coordenada entre municípios, estados, União, órgãos ambientais, defesa agropecuária, pesquisadores e produtores. Sem um planejamento conjunto, cada um age isoladamente enquanto a população de javalis cresce.
O Brasil não pode esperar que a espécie invasora coloque em risco o patrimônio sanitário construído ao longo dos anos para então agir. A defesa é por planejamento e coordenação, com uma política nacional que trate o problema como estratégico para o agronegócio.
No campo, o prejuízo já é uma realidade. Antes que ele ultrapasse as cercas e ameace a competitividade internacional do país, é preciso reconhecer que o modelo atual não está funcionando. Quando uma estratégia não produz resultado, insistir nela não é solução. É apenas adiar um problema que pode se tornar muito maior no futuro.


