Alckmin defende seguro rural robusto e diálogo com EUA
Alckmin defende seguro rural mais robusto e promete manter diálogo com os EUA O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, disse que o governo vai manter as

Alckmin defende seguro rural mais robusto e promete manter diálogo com os EUA
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, disse que o governo vai manter as negociações com os Estados Unidos por causa das barreiras comerciais aos produtos brasileiros. Ele também defendeu a abertura de novos mercados para reduzir os impactos nos setores afetados.
Em entrevista ao programa Mercado & Cia, do Canal Rural, Alckmin falou sobre a necessidade de fortalecer o seguro rural. Ele citou o fundo garantidor como uma forma de facilitar o acesso ao crédito e destacou medidas para estimular os biocombustíveis. O vice-presidente também comentou as negociações da carne brasileira com China e União Europeia, além de investimentos em fertilizantes e os efeitos da reforma tributária.
Sobre a disputa comercial com os Estados Unidos, Alckmin classificou o tarifaço como uma medida injusta. Ele explicou que a tarifa média sobre produtos americanos é de 3,1% e que sete dos dez produtos mais exportados pelos EUA ao Brasil têm tarifa zero. O vice-presidente lembrou que os americanos têm superávit com o Brasil e que o país não é o problema na balança comercial.
Alckmin afirmou que o governo não vai sair da mesa de negociação. Ele disse que a indústria é o setor mais atingido e que a estratégia inclui abrir novos mercados. Segundo ele, foram abertos 670 novos mercados no agro e, no ano passado, o país bateu recorde de exportação mesmo com o tarifaço.
Em relação às negociações com os americanos, o vice-presidente citou avanços. Ele mencionou a resolução da questão do certificado para exportação de etanol em uma semana. Alckmin também falou sobre oportunidades em data centers, já que o Brasil tem energia abundante e renovável, e em minerais estratégicos, como terras raras.
O vice-presidente lembrou que o Brasil tem mais de 3 mil empresas americanas operando no país. Ele citou a General Motors, que está no Brasil há mais de 100 anos. Para ele, há espaço para complementaridade econômica e investimentos recíprocos.
Alckmin também mencionou o programa Brasil Soberano, com R$ 18,5 bilhões em crédito. O programa atende não só quem exporta, mas também quem fornece para o exportador. A Apex e o BNDES vão trabalhar para colocar os produtos afetados em novos mercados.
Sobre a carne brasileira, Alckmin disse que o país vai passar os Estados Unidos e se tornar o maior exportador de alimentos do mundo. Ele lembrou que o Brasil é o primeiro exportador de carne bovina e de frango e o terceiro de carne suína.
O vice-presidente citou dificuldades com a União Europeia por causa de uma restrição prevista para setembro relacionada a antimicrobianos. Ele disse que há diálogo permanente com o Ministério da Agricultura e com setores europeus. Sobre a China, Alckmin afirmou que as exportações caíram de 1,6 milhão de toneladas para 1,1 milhão. Ele disse que uma missão da Coreia do Sul virá em agosto para inspeção sanitária e que o Brasil deve ser bem avaliado.
Alckmin disse que a China é o maior parceiro comercial do Brasil e que o país compra muitas commodities. Ele lembrou que o presidente Lula tem conversado com China e União Europeia. O vice-presidente afirmou que o Brasil defende o multilateralismo e a abertura de mercados, e que há conversas com Canadá, Emirados Árabes, Índia e México.
Sobre as exigências sanitárias da União Europeia, Alckmin disse que ainda não há resposta. Ele explicou que no frango a adaptação é mais rápida, com ciclo de 45 dias, mas no boi é mais demorada. Ele lembrou que o Brasil é livre de febre aftosa sem vacinação e de gripe aviária.
Na área de biocombustíveis, Alckmin disse que a agroindústria é a missão número um da Nova Indústria Brasil. Ele citou o aumento do etanol na gasolina para 32% e do biodiesel para 15%. O vice-presidente afirmou que o Brasil importa derivados de petróleo e que os biocombustíveis ajudam a reduzir essa dependência.
Alckmin disse que o etanol de milho também cresceu e que o DDG vira proteína animal. Ele citou o SAF, que vai substituir o querosene de avião, e disse que Brasil, Índia e Estados Unidos podem produzir. Ele também mencionou empresas de cabotagem que já compram etanol.
Sobre a ampliação das misturas, Alckmin disse que tudo precisa de teste. Ele citou os testes no Instituto Mauá de Tecnologia e disse que o carro sustentável, com 80% de reciclabilidade e emissão limitada de CO2, tem IPI zero. Seis montadoras se adequaram.
O vice-presidente falou sobre a queda nos preços das commodities e o aumento dos custos de produção. Ele disse que o governo tirou imposto do diesel e deu subvenção. Alckmin citou o Plano Safra de R$ 610 bilhões e a renegociação de dívidas de R$ 100 bilhões, com prioridade para quem foi atingido por questões climáticas.
Ele disse que o fundo garantidor é um instrumento novo que vai ajudar no acesso ao crédito. Alckmin também citou o Move Agro, com taxa de 9,2% para compra de tratores e colheitadeiras, e o Move Caminhões, com financiamento a 12%.
Sobre os investimentos no agro, Alckmin disse que há setores bem, como café, carne e frutas, mas os grãos enfrentam dificuldades. Ele citou a retomada de quatro fábricas de nitrogenados e o avanço na produção de potássio no Amazonas após dez anos de disputa judicial. Ele também defendeu a Ferrogrão e a integração de modais.
Alckmin avaliou a reforma tributária de forma positiva. Ele disse que o Brasil caminha para um IVA dual e que a reforma desonera investimento e exportação. Ele citou um estudo do Ipea que mostra crescimento de 12% do PIB em 15 anos, com investimentos subindo 14% e exportações 17%. Ele também lembrou a desoneração completa da cesta básica.
O vice-presidente disse que a agenda estratégica inclui melhorar a logística, reduzir custos, melhorar o crédito, garantir seguro e abrir mercados. Ele afirmou que, sem abrir mercado, o país fica para trás em relação a concorrentes com preferência tarifária.


