Renegociação de dívidas rurais não é automática, alerta ex-presidente do BB
O governo federal anunciou a renegociação das dívidas rurais, mas a adesão ao programa não será automática. O alerta é do ex-presidente do Banco do Brasil e sóc

O governo federal anunciou a renegociação das dívidas rurais, mas a adesão ao programa não será automática. O alerta é do ex-presidente do Banco do Brasil e sócio da BX2 Capital, Fausto Ribeiro. Segundo ele, os produtores precisam organizar a documentação com antecedência para não ficarem de fora.
Ribeiro explica que o programa terá duas modalidades. A primeira é para os casos mais graves, de produtores que tiveram três ou mais perdas por eventos climáticos. O prazo de pagamento chega a 10 anos, com dois anos de carência e sem entrada. Os juros variam de 5% ao ano para agricultores do Pronaf a 11% para os de maior porte.
A segunda modalidade atende quem comprovar perda de pelo menos 30% em duas safras seguidas, por clima ou queda de preços. O prazo é de oito anos, também com dois anos de carência e sem entrada. As taxas vão de 6% ao ano para o Pronaf a 12% para os demais produtores.
Documentação será decisiva
A formalização do programa ainda depende da publicação de uma medida provisória. Enquanto isso, Ribeiro recomenda que os produtores já organizem os documentos. Será preciso comprovar as perdas com laudo técnico de frustração de safra, boletim de vistoria do Proagro ou documento equivalente reconhecido pelo banco.
Também é necessário identificar quais contratos podem ser renegociados, reunir os saldos devedores atualizados e manter a documentação da propriedade regularizada. “Está com CAR regularizado, certidões livres de impedimentos ambientais, tudo isso o banco vai exigir antes de formalizar qualquer acordo”, afirma.
Na avaliação do especialista, quem se organizar primeiro poderá negociar com melhores condições. “Quem se organizar primeiro negocia com melhores condições antes que a fila se forme.”
Alívio financeiro, mas sem eliminar riscos
Para Ribeiro, a renegociação alivia o caixa das propriedades, mas não resolve todos os desafios do setor. “O que ela resolve? O custo do carregamento da dívida. Tira a pressão sobre o seu caixa e ajuda a preservar o relacionamento de crédito com seu banco.”
Ele lembra que permanecem problemas como o alto custo de produção, a volatilidade dos preços das commodities e os riscos climáticos para a próxima safra. “O custo de produção continua alto, o risco de preço da soja e do milho continua existindo e o risco climático para a próxima safra está na mesa.”
O especialista recomenda que o produtor use o período da renegociação para fortalecer a gestão da propriedade. Entre as medidas sugeridas estão estruturar mecanismos de proteção de preços antes do plantio, contratar seguro rural antecipadamente e revisar a estrutura financeira da operação com profissionais especializados em crédito rural.
Segundo Ribeiro, a inadimplência rural passou de 4,6% para 12,7% no último ano. Para ele, isso reforça que a renegociação ajuda a resolver dívidas antigas, mas não substitui o planejamento financeiro. “A renegociação resolve o passado. O risco futuro exige planejamento”, conclui.









