Plano Safra: juros altos e dúvidas no crédito rural
O Plano Safra 2026/2027 foi anunciado nesta terça-feira (30) pelo governo federal. O programa amplia em R$ 9 bilhões os recursos destinados à agricultura empres

O Plano Safra 2026/2027 foi anunciado nesta terça-feira (30) pelo governo federal. O programa amplia em R$ 9 bilhões os recursos destinados à agricultura empresarial, que passam de R$ 516,2 bilhões para R$ 525,1 bilhões.
Apesar do aumento no volume total de crédito, a Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) avalia que as condições anunciadas ainda estão abaixo das necessidades do setor. A entidade destaca preocupações com as taxas de juros, os recursos para custeio e a situação financeira dos produtores.
Do total previsto para a nova safra, R$ 384,9 bilhões serão destinados ao custeio e à comercialização. Outros R$ 140,2 bilhões serão para investimentos. Na comparação com o ciclo anterior, os recursos para custeio e comercialização foram reduzidos em R$ 29,8 bilhões, enquanto os investimentos cresceram R$ 38,7 bilhões.
Para o presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes, o setor esperava condições mais favoráveis. “O Plano Safra veio com valor abaixo do que a gente pretendia. Os juros também não vieram como a gente pretendia. Nós pretendíamos abaixo de um dígito, e ele veio para a agricultura empresarial em 12,5%”, afirma.
Nunes ressalta que ainda é necessário conhecer detalhes da operacionalização dos recursos e do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), considerado estratégico para a atividade. Segundo ele, também há preocupação com a capacidade das instituições financeiras de captar recursos suficientes para atender à demanda por crédito em um cenário econômico desafiador.
Outro ponto destacado pela entidade é a necessidade de uma solução para o endividamento dos produtores. Conforme Nunes, a definição sobre o Projeto de Lei nº 5.122 e as medidas que poderão ser adotadas pelo governo serão determinantes para que parte dos arrozeiros consiga acessar as linhas de financiamento da próxima safra. “Nós também estamos na dependência das renegociações, de como vai ser resolvida essa questão do endividamento, até para que a gente consiga ter acesso ao crédito rural, porque senão vários produtores de arroz vão ficar alijados do Plano Safra”, afirma.
No Rio Grande do Sul, a colheita do arroz atinge 98,68% da área cultivada. O andamento da safra é acompanhado de perto pelos produtores, que agora aguardam os desdobramentos do Plano Safra para planejar o próximo ciclo.







