Cotações da soja sobem no Brasil após relatório do USDA
O mercado brasileiro de soja teve uma sessão de preços mais firmes, apoiado pela melhora da paridade na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) e pelo avanço das

O mercado brasileiro de soja teve uma sessão de preços mais firmes, apoiado pela melhora da paridade na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) e pelo avanço das indicações nos portos. Mesmo com a valorização, o volume de negócios foi limitado, já que os produtores seguem cautelosos nas vendas.
Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, há uma disputa no mercado interno, com a indústria buscando ofertas de soja enquanto os produtores que ainda têm produto cadenciam as vendas. O basis doméstico segue firme, com boas indicações no mercado CIF fábrica, mas os produtores esperam preços mais altos para fechar novos negócios, o que limita a liquidez.
Nos portos, as indicações também melhoraram, principalmente para pagamentos mais à frente. Para agosto, a janela para novas operações de exportação está mais curta, reduzindo o espaço para negócios com embarque imediato. O analista destaca que o dólar também contribui para o ajuste das posições recentes e que os prêmios seguem firmes, sustentados pela demanda nos portos.
Preços de soja no Brasil
No mercado físico, as cotações subiram em algumas praças produtoras. Em Passo Fundo (RS), o preço ficou em R$ 140,00. Santa Rosa (RS) manteve R$ 141,00. Cascavel (PR) subiu de R$ 135,00 para R$ 136,00. Rondonópolis (MT) passou de R$ 133,00 para R$ 134,00. Dourados (MS) subiu de R$ 130,00 para R$ 131,50. Rio Verde (GO) avançou de R$ 130,00 para R$ 132,00. Em Paranaguá (PR), a saca subiu de R$ 146,00 para R$ 147,00. No Rio Grande (RS), as referências passaram de R$ 147,00 para R$ 148,00.
Soja em Chicago
Os contratos futuros da soja fecharam em alta nesta quarta-feira na CBOT. O relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) foi considerado neutro a baixista, mas os preços acompanharam a alta de trigo e milho, em meio à escalada do conflito no Mar Negro e aos temores de aperto da oferta. A boa demanda chinesa pela soja americana também ajudou a sustentar as cotações. Exportadores privados reportaram a venda de 244 mil toneladas para a China.
A estatal chinesa Sinograin vendeu cerca de 89% das 516 mil toneladas de soja importada ofertadas em seu terceiro leilão, segundo traders consultados pela Reuters. A empresa busca liberar espaço para a chegada de cargas dos Estados Unidos.
Relatório de agosto
O relatório de agosto do USDA indicou a safra norte-americana de soja em 4,519 bilhões de bushels em 2026/27, o equivalente a 123 milhões de toneladas. A produtividade foi reduzida de 53 para 52,7 bushels por acre. No relatório anterior, a estimativa era de 4,475 bilhões de bushels. O mercado esperava 4,469 bilhões de bushels.
Os estoques finais estão projetados em 320 milhões de bushels, ou 8,71 milhões de toneladas. Em julho, a previsão era de 310 milhões de bushels. O mercado esperava carryover de 302 milhões de bushels. O USDA trabalha com esmagamento de 2,78 bilhões de bushels, acima dos 2,75 bilhões de julho, e exportações de 1,66 bilhão, sem alteração. Para a temporada 2025/26, o Departamento indicou estoques de passagem de 325 milhões de bushels.
Para a safra mundial de soja em 2026/27, o USDA projetou produção de 442,25 milhões de toneladas. Os estoques finais estão estimados em 124,21 milhões de toneladas, abaixo da previsão do mercado. O USDA indicou safra brasileira em 2025/26 em 180,5 milhões de toneladas, contra 180 milhões do relatório anterior. Para 2026/27, a estimativa é de 186 milhões de toneladas. A produção da Argentina em 2025/26 está prevista em 49,5 milhões de toneladas, contra 50 milhões indicadas em julho. Para 2026/27, o USDA trabalha com safra de 50 milhões de toneladas.
Contratos futuros e câmbio
Os contratos da soja em grão com entrega em novembro fecharam com alta de 14,50 centavos de dólar, ou 1,24%, a US$ 11,83 1/4 por bushel. A posição janeiro teve cotação de US$ 11,99 por bushel, com elevação de 14,75 centavos. A posição dezembro do farelo fechou com alta de US$ 4,20, a US$ 315,10 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro fecharam a 68,76 centavos de dólar, com ganho de 0,64 centavo.
O dólar comercial encerrou a sessão com alta de 0,26%, negociado a R$ 5,1772 para venda e R$ 5,1752 para compra. A moeda oscilou entre a mínima de R$ 5,1361 e a máxima de R$ 5,1807.









