Aprosoja defende fundo garantidor para crédito rural
A Aprosoja Brasil avalia que a atual crise no crédito rural não é apenas falta de recursos, mas também consequência das exigências feitas pelos bancos. O presid

A Aprosoja Brasil avalia que a atual crise no crédito rural não é apenas falta de recursos, mas também consequência das exigências feitas pelos bancos. O presidente da entidade, Lucas Costa Beber, afirma que a exigência de garantias, em muitos casos, supera o valor financiado.
Diante disso, a entidade defende que o fundo garantidor previsto na Medida Provisória nº 1.376/2026, publicada em julho, seja mais amplo. O texto atual da medida trata da renegociação de dívidas de produtores que tiveram perdas por problemas climáticos ou queda de preços.
Para a Aprosoja, o mecanismo poderia ir além da renegociação. A ideia é que o fundo ajude a reduzir o risco das operações para os bancos e facilite a comprovação de garantias pelos produtores. Com isso, o acesso aos recursos do Plano Safra poderia ser ampliado. Beber lembra que outros países já usam fundos garantidores e que, no Brasil, parte da crise vem de perdas sucessivas.
O cenário é agravado pela falta de uma política de seguro rural consistente. Beber cita o contingenciamento de mais de R$ 400 milhões no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), que tinha R$ 1 bilhão anunciados. Como comparação, ele diz que os Estados Unidos têm 90% da área das principais culturas coberta por seguro, enquanto no Brasil menos de 4% das áreas de soja são asseguradas. Para ele, o planejamento de longo prazo traz previsibilidade para produtores e seguradoras.
Entidade quer Plano Safra menos ‘politizado’
A Aprosoja Brasil também critica a condução do Plano Safra. Em junho, foram anunciados R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial na temporada 2026/27, um aumento de R$ 9 bilhões em relação ao ciclo anterior. Beber afirma que houve aumento para investimentos, mas parte com recursos livres, quando o necessário seria recurso para custeio e comercialização.
A avaliação da entidade é que o aumento nominal não significa mais crédito disponível. Considerando inflação e correção monetária, o volume do Plano Safra deste ano acabou diminuindo. Os recursos para custeio e comercialização caíram de R$ 414 bilhões para R$ 384 bilhões. Beber afirma que o acesso aos recursos caiu cerca de 50% em relação ao ano passado, e 80% nas linhas de investimento.
O presidente da Aprosoja também alerta para a proximidade do plantio da nova safra. Em Mato Grosso, cerca de 30% dos fertilizantes fosfatados ainda não foram comprados, por dificuldade de crédito e alta de custos. Ele defende um Plano Safra pensado a longo prazo, com recursos antecipados. A Selic elevada também preocupa, pois o crédito prefixado ficou inviável e o produtor depende do mercado livre, o que encarece o financiamento.
Cautela deve marcar próxima safra
A orientação da Aprosoja Brasil para o produtor é de cautela. Beber afirma que a prioridade deve ser a sustentabilidade econômica da atividade, não a produtividade. As entidades do setor seguem buscando alternativas diante do cenário internacional desfavorável, como o aumento da demanda por produtos agrícolas.
Beber cita o mercado de biocombustíveis como exemplo. Enquanto o Brasil discute elevar a mistura de biodiesel para B16 e B17, a Indonésia já aprovou o uso do B50, com óleo de palma. Para ele, além de gerar maior demanda e industrialização, isso traria mais segurança energética ao país, que depende da importação de combustíveis fósseis.









