China amplia presença no agro e pressiona indústria de máquinas
As fabricantes chinesas de máquinas agrícolas estão ampliando sua presença no Brasil e mudando o cenário de concorrência no setor. Um levantamento da Cogo Intel

As fabricantes chinesas de máquinas agrícolas estão ampliando sua presença no Brasil e mudando o cenário de concorrência no setor. Um levantamento da Cogo Inteligência em Agronegócio indica que essas empresas estão aumentando os investimentos, montando operações locais e vendendo tratores e colheitadeiras com preços de 30% a 40% menores do que os das marcas tradicionais.
O estudo aponta que, de janeiro a junho de 2026, o Brasil importou US$ 200,4 milhões em tratores, o que corresponde a 14.985 unidades. Desse total, 67% tiveram origem na China. A consultoria explica que essa vantagem competitiva vem da escala de produção, do custo menor do aço e da mão de obra mais barata. Isso permite que os fabricantes chineses tenham um custo de produção até 27% menor do que o das empresas que já estão instaladas no país.
Para o sócio-diretor da Cogo, Carlos Cogo, esse movimento já passou da fase de simples importação. “Estamos falando de fábrica anunciada, banco próprio operando e rede de distribuição em expansão acelerada. É uma ofensiva industrial completa, e o setor nacional precisa reagir com a mesma velocidade”, afirma.
Investimentos e expansão
O levantamento destaca que a fabricante chinesa YTO anunciou a construção de uma fábrica em Caruaru (PE), com investimento previsto entre R$ 150 milhões e R$ 500 milhões. A unidade deve fabricar de 100 a 120 tratores por mês a partir do fim de 2026. Outro projeto mapeado pela consultoria prevê um aporte de R$ 200 milhões e capacidade para produzir 5 mil tratores por ano.
O financiamento é outra frente de crescimento. A XCMG já atua no Brasil com banco próprio, com uma carteira de crédito de R$ 697 milhões que pode ser usada para financiar máquinas agrícolas. A Zoomlion, por sua vez, declarou a meta de conquistar 10% do mercado brasileiro, unindo a venda de equipamentos a serviços financeiros.
Desafio para a indústria nacional
O avanço chinês também já chega a outros segmentos, como o de colhedoras de algodão em Mato Grosso e o de colheitadeiras de grãos, usando a mesma rede comercial criada para os tratores. A estratégia dessas empresas segue um modelo visto em outros setores da economia: começa com a importação, passa para a produção local e depois busca acesso às linhas de financiamento disponíveis no Brasil.
Para a consultoria, a resposta da indústria já instalada no país não deve se limitar à defesa comercial. A competitividade vai depender também de investimentos em tecnologia, qualidade dos produtos, pós-venda e oferta de crédito ao produtor rural.


