Cardápio Forrageiro: plantas resistentes para pecuária no Semiárido
Produzir carne e leite no Semiárido brasileiro é um dos maiores desafios da pecuária nacional. Em grande parte da Bahia, do Nordeste e do Norte de Minas Gerais,

Produzir carne e leite no Semiárido brasileiro é um dos maiores desafios da pecuária nacional. Em grande parte da Bahia, do Nordeste e do Norte de Minas Gerais, os produtores rurais enfrentam períodos que podem chegar a nove meses sem chuva. A estiagem prolongada reduz a oferta de pastagens, eleva os custos com a alimentação dos rebanhos e compromete a produtividade das propriedades. Nesse cenário, as forrageiras, plantas destinadas à alimentação animal, tornam-se estratégicas para garantir comida durante todo o ano.
Para enfrentar esse desafio, o Sistema CNA, o Instituto CNA e o Senar lançaram, em 2017, o Projeto Forrageiras para o Semiárido. A iniciativa surgiu a partir de uma demanda do presidente da CNA, João Martins, diante da necessidade de recuperar áreas degradadas e aumentar a produtividade sem abrir novas áreas. Somente na Bahia, cerca de 14 milhões de hectares têm algum grau de degradação.
Após quase dez anos de pesquisas, o Sistema CNA, o Instituto CNA e o Senar apresentaram os avanços do projeto durante o encerramento da segunda etapa do Rally de Forrageiras, em Baixa Grande (BA). O município, que abriga uma das principais Unidades de Referência Tecnológica (URTs), recebeu cerca de mil participantes. Nessas áreas, as espécies forrageiras são testadas em condições reais de produção antes de serem recomendadas ao campo. A próxima etapa do Rally percorrerá dez estados do Semiárido para disseminar as tecnologias desenvolvidas na última década.
Atualmente, o projeto conta com 12 URTs distribuídas pelo Semiárido. Nelas, pesquisadores avaliaram diferentes combinações de capins, gramíneas anuais, palma forrageira e outras espécies para identificar as alternativas mais adaptadas ao clima, solo e regime de chuvas de cada região.
Durante o evento, o vice-presidente da CNA e presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb), Humberto Miranda, destacou o potencial do Semiárido para a expansão da pecuária. Segundo ele, a difusão de conhecimento, aliada à assistência técnica e à inovação, é essencial para aumentar a produção, gerar renda e empregos e estimular a sucessão familiar no campo. “A região semiárida é o futuro da pecuária brasileira, mas precisamos cada vez mais implantar conhecimento e inovação”, afirmou.
Segundo dados apresentados no encontro, mais de 10 mil produtores foram atendidos diretamente pela iniciativa nos últimos dois anos. Já a Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Sistema CNA/Senar acumulava cerca de 500 mil produtores assistidos em todo o país.
Cardápio forrageiro
O principal resultado da pesquisa foi a criação de um cardápio forrageiro, ferramenta que orienta os produtores sobre as espécies mais indicadas para cada realidade. Entre as recomendações estão diferentes variedades de palma forrageira, sorgo, milheto e capins adaptados, além do uso da silagem como estratégia para garantir alimento ao rebanho durante a seca.
Segundo a coordenadora do projeto, Alenilda Carvalho, a principal conclusão das pesquisas é que não existe uma única forrageira capaz de atender todo o Semiárido. “Cada região precisa de uma combinação diferente de espécies, de acordo com o clima, o solo e a disponibilidade de água”, explica. Ela destaca que as URTs permitiram validar as tecnologias em condições reais antes de levá-las aos produtores por meio da ATeG. “O manejo correto é tão importante quanto a escolha da forrageira. O objetivo é reduzir custos e garantir alimento para o rebanho durante todo o ano”, afirma.
Além da escolha das espécies, o projeto incentiva práticas como produção de silagem, rotação de pastagens, recuperação de áreas degradadas, análise de solo e planejamento alimentar dos rebanhos. Durante a estiagem, quando os pastos perdem qualidade nutricional, os pesquisadores apontam três pilares para a alimentação animal no Semiárido: capim, palma forrageira e silagem.
A palma, considerada uma das principais alternativas para enfrentar a seca, exige investimento entre R$ 11 mil e R$ 13 mil por hectare. Em contrapartida, pode produzir cerca de 180 toneladas de matéria verde por hectare já no primeiro ano, garantindo elevada oferta de alimento aos animais.
Durante os dias de campo do Rally de Forrageiras, os participantes também têm acesso à Carreta Agro pelo Brasil, iniciativa do Sistema CNA/Senar que apresenta experiências imersivas sobre a evolução da agropecuária brasileira. A estrutura reúne vídeos em formato imersivo, óculos de realidade virtual e um estúdio de podcast para entrevistas realizadas durante os eventos.


