Embrapa leva tecnologia a 5 milhões de produtores
O projeto Semear Digital, liderado pela Embrapa Agricultura Digital e financiado pela Fundação Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), desenvolve sol

O projeto Semear Digital, liderado pela Embrapa Agricultura Digital e financiado pela Fundação Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), desenvolve soluções em agricultura de precisão, automação e conectividade para pequenos, médios e agricultores familiares. A iniciativa reúne instituições de pesquisa e parceiros para levar inovação a quem ainda enfrenta dificuldades de acesso às tecnologias digitais.
Criado em 2023, o Semear Digital surgiu para reduzir a desigualdade no acesso às ferramentas tecnológicas no meio rural. Segundo a pesquisadora da Embrapa Agricultura Digital, Luciana Alvim Romani, enquanto grandes produtores conseguem incorporar rapidamente novas soluções, pequenos e médios ainda esbarram em obstáculos como o alto custo da tecnologia, limitações de conectividade e baixo letramento digital.
Atualmente, no Brasil, há em torno de 5 milhões de proprietários de áreas que estão no escopo de pequenas e médias propriedades. Para atender às necessidades desse segmento, os pesquisadores foram a campo ouvir os produtores antes de desenvolver as soluções tecnológicas. Além da conectividade, outro desafio identificado foi o baixo letramento digital. O projeto passou a investir também em ações de treinamento, dias de campo e cursos voltados para o uso das ferramentas digitais.
O Semear Digital atua em quatro biomas brasileiros e adota diferentes modelos de conectividade conforme as características locais. Em áreas remotas, como a Ilha de Marajó (PA), o acesso à internet ocorre por meio de satélites, em parceria com o Ministério das Comunicações e a Telebras. Em outras regiões, são utilizadas redes via rádio ou conexões cabeadas. Segundo os responsáveis pelo projeto, não existe uma solução única para todo o país.
As pesquisas contemplam diversas atividades, como cafeicultura em São Paulo e Minas Gerais, fruticultura, pecuária leiteira, açaí na Ilha de Marajó, licuri no semiárido brasileiro e piscicultura, com foco na produção de tilápia. Uma das soluções desenvolvidas é um aplicativo que auxilia piscicultores a identificar o momento ideal para realizar a despesca, usando inteligência artificial generativa por meio de um chatbot.
Inicialmente implantado em dez municípios brasileiros, o Semear Digital vem ampliando sua atuação. Novas regiões dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo passaram a integrar o projeto, incluindo municípios localizados na bacia do Rio Doce. A iniciativa também começou a atuar em países do Cone Sul, como Paraguai, Uruguai, Chile e Argentina, além de uma parceria em desenvolvimento com Portugal.
De acordo com Romani, outro foco do projeto é estimular a permanência dos jovens no campo. Pesquisas mostram que muitos não desejam seguir na atividade rural da mesma forma que seus pais, mas demonstram interesse quando há espaço para inovação e uso de tecnologias digitais. As ações de capacitação também priorizam jovens e mulheres, buscando fortalecer a agricultura familiar e reduzir a escassez de mão de obra.
O Semear Digital está em fase de expansão e pretende iniciar uma segunda etapa, com mais cinco anos de duração. Entre os objetivos estão ampliar o número de cadeias produtivas atendidas, transformar protótipos em produtos disponíveis comercialmente e fortalecer parcerias para acelerar a adoção das tecnologias no campo.







