Copos geram lucros: nova tendência em supermercados
O The Restaurant Show, principal evento de food service do mundo, realizado em Chicago, indica que as bebidas passaram a traduzir a busca dos clientes por exper

O The Restaurant Show, principal evento de food service do mundo, realizado em Chicago, indica que as bebidas passaram a traduzir a busca dos clientes por experiências sensoriais. A sede do consumidor mudou de patamar. O que antes era visto como uma busca por hidratação básica hoje é uma demanda por experiências sensoriais completas, onde o sabor divide o protagonismo com a textura e a funcionalidade.
Para os supermercados, essa mudança pode se tornar um dos grandes motores de aumento de margem. As bebidas customizadas e preparadas na hora, como lattes gelados, refrescos e dirty sodas (refrigerantes misturados com cremes ou frutas), são um dos maiores vetores de tráfego e margem de lucro atuais. Mais da metade dos consumidores já consideram supermercados e lojas de conveniência como destinos legítimos para comprar uma bebida especial.
Essa oportunidade é impulsionada pelas redes sociais, que viralizam ondas como os refreshers, as dirty sodas e o uso de bolhas de sabor, redefinindo o que o público espera de um copo. Bradley Bolton, diretor de operações da Stories Coffee Company, aponta que o impacto é tão profundo que até marcas como o McDonald's já entraram na disputa, oferecendo linhas de bebidas artesanais para recuperar o público que migrou para as cafeterias.
Para os supermercados, o diferencial está na capacidade de oferecer produtos preparados na hora e na possibilidade de se relacionar com os consumidores a partir dos benefícios das bebidas, o que é chamado pela consultoria Tastewise de "New Body OS", ou o Novo Sistema Operacional do Corpo. Um exemplo é a espuma fria, que começou como um item estético em cafeterias e se tornou um veículo funcional. Espera-se que essas espumas sejam enriquecidas com proteínas, adaptogênicos para alívio do stress (como a lavanda) ou ingredientes para o equilíbrio hormonal.
David Henkes, sócio da consultoria Technomic, aponta que os supermercados que quiserem capitalizar esse movimento devem investir em ilhas de bebidas customizáveis. Isso porque bebidas preparadas oferecem margens mais elevadas, com custo de insumo relativamente baixo na comparação com seu valor percebido, geram tráfego e recorrência, e são um setor em forte expansão. O segmento de refreshers, por exemplo, tem uma projeção de crescimento de 130% nos próximos 4 anos, segundo dados da Technomic.







