Cobrança no Estreito de Ormuz acelera compras de fertilizantes
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (13) que pretende assumir o controle do Estreito de Ormuz e cobrar 20% sobre o valor

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (13) que pretende assumir o controle do Estreito de Ormuz e cobrar 20% sobre o valor de toda carga transportada pela rota.
A declaração, embora sem detalhes sobre quais países seriam taxados ou como a cobrança seria calculada, gerou incertezas no mercado global, especialmente no setor de fertilizantes.
O analista de inteligência de mercado da StoneX, Tomas Pernias, afirmou que o mercado monitorava dois cenários: avanço nas tratativas de paz ou nova deterioração das negociações. Para ele, a possível tarifa sobre embarcações que usam a rota surge como mais uma possibilidade, com potenciais impactos sobre custos logísticos e fluxos comerciais.
Pernias destacou que, em um cenário hipotético, a taxação representaria um encarecimento e perda de competitividade das cargas do Oriente Médio. Isso poderia levar importadores a priorizar fornecedores que não dependem do estreito. Também é possível que os preços do Oriente Médio recuem para preservar a competitividade.
Segundo o analista, a reabertura do Estreito de Ormuz seria uma boa notícia para compradores como o Brasil, mas a possibilidade de novas taxações não agrada os importadores, que teriam de lidar com uma tarifa que poderia ser repassada aos preços finais do adubo.
Queda nas importações de fertilizantes
Entre janeiro e junho deste ano, as importações de Fosfato Monoamônico (MAP) pelo Brasil ficaram 24% abaixo das aquisições do mesmo período de 2025, conforme dados da StoneX.
Ao considerar as principais matérias-primas fosfatadas, como Superfosfato Triplo (TSP) e Superfosfato Simples (SSP), as compras estão nos menores níveis dos últimos anos. Pernias destacou que, se os importadores não acelerarem o ritmo de compras, a oferta reduzida de fosfatados pode se tornar um problema.
A situação é agravada pela escassez de enxofre, produto usado na cadeia produtiva de fosfatados. Entre janeiro e junho, as importações brasileiras dessa matéria-prima ficaram 42% abaixo das registradas em 2025. O analista associou a queda à oferta reduzida no mercado internacional e à alta de 127% nos preços entre fevereiro e julho, quando as cotações ultrapassaram US$ 1.000 por tonelada.
Com os custos elevados, grandes fabricantes de fertilizantes no Brasil e em outros países reduziram a produção. A Mosaic, por exemplo, anunciou medidas temporárias de redução da produção de fosfato no Brasil devido às restrições no fornecimento da matéria-prima.
Pernias analisou que, ao contrário dos nitrogenados, cujos preços recuaram nas últimas semanas, o mercado de fosfatados já tinha menor espaço para correções. Para ele, o ressurgimento das tensões no Oriente Médio, a fala de Trump sobre tarifas no Estreito de Ormuz e a falta de solução para a escassez de enxofre tendem a ampliar o cenário desafiador dos fertilizantes no curto prazo.









