Brasil vende tecnologia de óleo de girassol à Ucrânia
Mesmo em meio ao conflito que se arrasta desde 2022, a Ucrânia segue como um dos principais centros mundiais de produção e exportação de óleo de girassol. O paí

Mesmo em meio ao conflito que se arrasta desde 2022, a Ucrânia segue como um dos principais centros mundiais de produção e exportação de óleo de girassol. O país passa agora a contar com uma tecnologia brasileira para medir o teor de ácido oleico (Ômega-9), um atributo que ganha importância no comércio internacional do produto.
A empresa FIT (Fine Instrument Technology) realizou a primeira venda da tecnologia SpeCFIT para o país europeu. O equipamento foi desenvolvido em parceria com a Embrapa Instrumentação.
O aparelho utiliza Ressonância Magnética Nuclear (RMN) de baixo campo para fazer análises rápidas e não destrutivas de grãos e sementes. O método dispensa o uso de reagentes químicos e reduz a dependência de procedimentos laboratoriais tradicionais.
Estimativas de mercado indicam que o setor global de óleo de girassol movimenta cerca de US$ 25 bilhões por ano. O mercado mantém crescimento, impulsionado pela demanda da indústria alimentícia e pela valorização de variedades com alto teor oleico.
O CEO da FIT, Daniel Consalter, destacou que a Ucrânia tem posição estratégica como produtora e exportadora de óleo de girassol, influenciando padrões internacionais de qualidade e formação de preços. Para ele, a entrada no mercado ucraniano mostra o potencial da tecnologia brasileira em cadeias globais de produção.
"Mercados que remuneram atributos de qualidade exigem métodos de medição rápidos e confiáveis. A análise por RMN permite gerar essas informações de forma quase instantânea, apoiando decisões ao longo da cadeia produtiva", afirmou Consalter.
Critério de remuneração da produção
Em mercados como União Europeia, Estados Unidos e parte da Ásia, o teor de ácido oleico já é usado como critério de classificação e remuneração. Há bonificações para grãos classificados como "high oleic" (alto teor de ácido oleico).
Além do maior valor comercial, esse atributo está ligado à maior estabilidade térmica dos óleos, maior resistência à oxidação e características nutricionais valorizadas pela indústria e consumidores.
Consalter ressaltou que, no Brasil, a comercialização do girassol ainda é baseada principalmente no teor total de óleo para esmagamento. Atributos qualitativos, como o teor de ácido oleico, têm participação mais limitada na formação de preços.
Com a operação na Ucrânia, somada à recente expansão para a Colômbia, a FIT dá continuidade ao processo de internacionalização iniciado em 2018. A empresa está agora presente em 19 países.







