Agro e comunicação: a força da marca Amazônia
O agronegócio brasileiro precisa unir a produção de qualidade à comunicação para conquistar mercados e transformar a Amazônia em uma marca global. A avaliação é

O agronegócio brasileiro precisa unir a produção de qualidade à comunicação para conquistar mercados e transformar a Amazônia em uma marca global. A avaliação é do jornalista e publicitário José Luiz Tejon, que assina artigo publicado no Canal Rural. Para ele, o que os agricultores fazem de bem-feito nos solos e mares cabe aos publicitários divulgar para o mundo.
Tejon destaca que todo agricultor tem um pouco de publicitário, pois desde os primórdios precisava levar seus produtos às feiras e usar a demonstração de suas mercadorias para atrair compradores. Da mesma forma, todo publicitário tem um pouco de agricultor, pois precisa extrair do invisível das sementes das razões fortes impactos que emocionem e conquistem corações.
O conceito de agronegócio, tradução de agribusiness, foi desenvolvido pelo Dr. Ray Goldberg, de Harvard. Ele ensinou que não existe mais uma atividade isolada, como na época dos ancestrais, quando os agricultores produziam as próprias sementes, criavam suas ferramentas manuais e colhiam com as mãos. Hoje, um complexo científico e tecnológico está no antes das porteiras das fazendas, e um sistema agroindustrial de comércio e serviços está no pós-porteira.
Nesse cenário, a disputa pela preferência e paixão por produtos e marcas se estabelece por meio do marketing. A estratégia da propaganda também é milenar, desde as construções monumentais de castelos e prédios religiosos, passando pelas praças de espetáculos e shows nos coliseus, até os menestréis com a arte da palavra e seus alaúdes.
O autor ressalta que, ao falar de agronegócio sem a arte publicitária, ficaríamos somente com o lado do “agro”, sem eficácia na realização dos negócios. Ele cita exemplos históricos de “power brands”, como algodão associado ao Egito, sedas à Índia, flores aos Países Baixos e vinhos ao Porto português. Com a Revolução Industrial, a arte publicitária se transporta para o que Marx chamou de “fetiche das mercadorias”, criando sentidos pelos quais as pessoas se entusiasmavam e as mercadorias adquiriam vida própria.
Tejon aponta que o Brasil tem a oportunidade de contar com a maior marca mundial, a Amazônia. Uma agência de branding, a FutureBrand, de São Paulo, ganhou três Leões de Ouro no Festival Publicitário de Cannes com o design da marca Amazônia e doou a marca para o Consórcio da Amazônia. Ele também menciona ações competentes de vendas com a Apex, os adidos agrícolas e associações, como a Abrapa, do algodão, e o Cecafé.
O artigo defende que usar a arte publicitária para dar percepção e conquistar mentes e corações com aquilo que o Brasil faz de bem-feito é um dever dos líderes do complexo agroindustrial nacional. Sem a orquestração da propaganda, não faremos sinfonia e teremos apenas cacofonia. A meta é transformar os atuais cerca de US$ 600 bilhões do movimento somado das cadeias produtivas agrobrasileiras em US$ 1 trilhão nos próximos 10 anos.
“Não temos mais 40 anos para, de forma silenciosa, chegarmos ao posto de maior agroexportador mundial. Está na hora de conquistar corações e mentes, do ‘gene ao meme’”, conclui Tejon, defendendo a união de produtoras e produtores rurais com publicitárias e publicitários.









