Sebrae impulsiona transformação do agro em MS
O avanço do agronegócio em Mato Grosso do Sul passa pela integração entre inovação, sustentabilidade e fortalecimento dos pequenos negócios. Essa é a avaliação

O avanço do agronegócio em Mato Grosso do Sul passa pela integração entre inovação, sustentabilidade e fortalecimento dos pequenos negócios. Essa é a avaliação de Maurício Saito, presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Mato Grosso do Sul. Ele defende a atuação da instituição como ponte entre os micro e pequenos empreendedores e os grandes investimentos que chegam ao estado.
Em entrevista ao Planeta Campo Talks, Saito afirmou que o desenvolvimento do setor é resultado da combinação entre empreendedorismo dos produtores, pesquisa científica, políticas públicas e um ambiente favorável aos investimentos.
Evolução da agropecuária
Segundo ele, um dos diferenciais sul-mato-grossenses é a forte base tecnológica voltada à produção agropecuária. O estado reúne três biomas (Cerrado, Pantanal e Mata Atlântica), cada um com unidades da Embrapa, além de universidades e instituições de pesquisa que contribuem para o desenvolvimento de tecnologias voltadas à sustentabilidade. “Essa participação, essa interação entre todas as instituições aqui do estado, juntamente com as instituições do setor produtivo, tem levado o estado a ter um crescimento muito sustentado e baseado em sustentabilidade”, destaca Saito.
Saito também atribui parte desse crescimento ao ambiente de negócios criado pelo governo estadual, baseado em segurança jurídica, diálogo com o setor produtivo e programas de incentivo que estimulam investimentos privados. Nos últimos anos, segundo ele, Mato Grosso do Sul recebeu mais de R$ 100 bilhões em investimentos industriais, especialmente nos segmentos de celulose e biocombustíveis.
Pequenos negócios como elo da cadeia
Na avaliação de Saito, a chegada de grandes indústrias amplia as oportunidades para micro e pequenos empreendedores, responsáveis pelo fornecimento de serviços, insumos e produtos às novas plantas industriais. “Não há como você imaginar a chegada de uma grande planta industrial aqui sem o trabalho realizado pelo pequeno e microempreendedor”, afirma.
É nesse contexto que o Sebrae concentra seus esforços, oferecendo capacitações para que pequenas empresas atendam aos padrões exigidos pelas grandes companhias. Além da qualificação técnica, a instituição atua como articuladora entre fornecedores locais e grandes empreendimentos. Saito cita ainda a Rota Bioceânica como uma oportunidade para diversificar a economia estadual, especialmente por meio do turismo. A expectativa é que o novo corredor logístico impulsione segmentos como hotelaria, gastronomia, artesanato e serviços.
Crise exige preparo para aproveitar oportunidades
Apesar do momento desafiador enfrentado pelo agronegócio, marcado por dificuldades de crédito e cenário internacional instável, Saito avalia que o período também abre espaço para novos negócios. Segundo ele, o papel do Sebrae é preparar os empreendedores para que estejam estruturados quando o mercado voltar a crescer. Para isso, o conselho da instituição reúne representantes do agronegócio, indústria, comércio, universidades, instituições financeiras e governo estadual.
Sustentabilidade e produtividade
Outro ponto destacado por Saito é a meta de Mato Grosso do Sul de alcançar a neutralidade de carbono até 2030. Para ele, o crescimento da produção no estado não ocorreu à custa do desmatamento, mas principalmente pela recuperação de áreas degradadas e pelo aumento da produtividade. Como exemplo, ele cita a pecuária, que reduziu o tamanho do rebanho bovino ao mesmo tempo em que ampliou a produção de carne.
Na agricultura, a expansão da área cultivada com soja veio acompanhada de ganhos ainda maiores de produtividade. Programas como o Precoce MS, voltado à pecuária de qualidade, e os investimentos em etanol de milho foram apontados como exemplos de uma estratégia que alia competitividade, sustentabilidade e agregação de valor à produção rural.
Transição energética
Saito também ressaltou o papel estratégico de Mato Grosso do Sul na transição energética brasileira. Os investimentos em usinas de etanol de milho e outras iniciativas ligadas à energia renovável reforçam, segundo ele, o posicionamento do estado como referência em desenvolvimento sustentável. Para o dirigente, a combinação entre empreendedorismo, inovação, pesquisa e políticas públicas continuará sendo determinante para consolidar Mato Grosso do Sul como um dos principais polos do agronegócio brasileiro.
Trajetória
Nascido em Londrina, Paraná, Saito vive em Mato Grosso do Sul desde 1996. Ao longo de sua trajetória, presidiu o Sindicato Rural de Itaporã, participou da fundação de uma cooperativa em Maracaju, presidiu a Aprosoja-MS e a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul). Atualmente, Saito lidera o Conselho Deliberativo do Sebrae no estado.


