El Niño exige ajuste técnico na safra de inverno no Sul
A confirmação do fenômeno El Niño para o segundo semestre de 2026 colocou os produtores da Região Sul em alerta para a safra de inverno. Segundo a Embrapa Trigo

A confirmação do fenômeno El Niño para o segundo semestre de 2026 colocou os produtores da Região Sul em alerta para a safra de inverno. Segundo a Embrapa Trigo, o aumento das chuvas e das temperaturas no período pode elevar o risco de doenças, reduzir o potencial produtivo em algumas áreas e exigir mudanças no planejamento da lavoura. A orientação é usar informações climáticas e manejo agronômico para limitar perdas.
De acordo com a Embrapa Trigo, os principais institutos internacionais de previsão climática indicam o retorno do El Niño a partir do segundo semestre, embora a intensidade do evento ainda não esteja definida. O pesquisador Gilberto Cunha explica que o fenômeno ocorre quando a temperatura da superfície do Oceano Pacífico Equatorial fica ao menos 0,5 °C acima da média por um período prolongado. No Sul do Brasil, isso costuma elevar a chuva, principalmente na primavera, e aumentar as temperaturas no inverno.
Para os cultivos de inverno, o cenário exige cautela. O pesquisador João Leonardo Pires afirma que o investimento em insumos deve considerar o potencial de rendimento permitido pelo ambiente, que tende a ser menor em anos de El Niño do que em anos de La Niña. Segundo ele, em 2023 muitos produtores repetiram um padrão de investimento semelhante ao de 2022, safra marcada por clima favorável e preços elevados do trigo, o que elevou o custo em um ano de maior risco climático.
Entre as estratégias recomendadas estão a escolha de cultivares mais adaptadas, com resistência a doenças e à germinação na espiga, além de rotação de culturas e escalonamento de semeadura. Dados apresentados pela Embrapa Trigo indicam que a diferença entre a melhor e a pior cultivar pode superar 800 quilos por hectare em anos de El Niño.
A instituição também orienta evitar semeadura com excesso de umidade, seguir o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), fracionar a adubação nitrogenada para reduzir perdas por lixiviação, fazer análise de solo e intensificar o monitoramento da lavoura para manejo de pragas, doenças e momento de colheita.
Para a Embrapa Trigo, o cenário de 2026 exige redução de risco desde a pré-semeadura até a pós-colheita. A recomendação técnica é combinar previsão meteorológica de curto prazo, manejo conservacionista do solo e decisões agronômicas ajustadas ao ambiente. Não há, até o momento, detalhamento oficial da intensidade do El Niño, o que mantém a necessidade de acompanhamento contínuo das atualizações climáticas.


