Projeto trinacional amplia corredores agroecológicos na Bahia e Sergipe
O projeto trinacional Raízes Agroecológicas avançou no Brasil com novas ações de formação e implementação de corredores agroecológicos na Bahia e em Sergipe. En

O projeto trinacional Raízes Agroecológicas avançou no Brasil com novas ações de formação e implementação de corredores agroecológicos na Bahia e em Sergipe. Entre os dias 12 e 15 de maio, cerca de 50 participantes estiveram em oficinas sobre agrobiodiversidade nos municípios de Aracaju, Itabaianinha e Riachão do Dantas, em Sergipe. A iniciativa é executada pelo Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), com financiamento do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e liderança técnica da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Segundo as informações do projeto, dois corredores agroecológicos foram implementados em Itabaianinha e Riachão do Dantas pelo terceiro ano consecutivo, considerando a fase de pré-implementação. Esses espaços funcionam como áreas de aprendizagem, observação e seleção de materiais genéticos, permitindo que agricultores identifiquem variedades mais adaptadas às condições locais e avancem na recuperação de sementes crioulas.
No Brasil, a meta do projeto é atender 2.600 famílias agricultoras, dentro de um universo de 5 mil famílias previstas nos três países participantes: Argentina, Bolívia e Brasil. Em fase inicial, estão programados 26 corredores agroecológicos na Bahia e 18 em Sergipe, totalizando 44 estruturas.
De acordo com a Embrapa, os corredores organizam cultivos em faixas intercaladas, combinando espécies alimentares, como milho e feijão, com plantas de adubação verde, entre elas crotalária juncea, feijão-de-porco e feijão guandu. O sistema também inclui uso de bioinsumos produzidos pelos próprios agricultores, com foco em fertilidade do solo, manejo integral de pragas e conservação ambiental.
A programação incluiu ainda visita à agroindústria comunitária de flocão de milho crioulo do Movimento Camponês Popular, em Riachão do Dantas, e à proposta de uma futura Unidade de Beneficiamento de Sementes crioulas apoiada pelo projeto. Segundo o material divulgado, a agroindústria está em fase de finalização e deve reforçar canais de comercialização já utilizados, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e feiras agroecológicas.
A combinação entre conservação de recursos genéticos locais, beneficiamento da produção e melhoramento genético participativo indica uma estratégia voltada à diversificação produtiva e à autonomia das comunidades rurais. O alcance econômico dessa estrutura dependerá da continuidade da implantação dos corredores, da operação das unidades previstas e da integração com mercados institucionais e canais locais de comercialização.


