Setor de frango redireciona cargas e mantém abastecimento
O fechamento de rotas estratégicas no Oriente Médio, por causa da guerra, obrigou o setor brasileiro de proteína animal a mudar sua logística para manter o abas

O fechamento de rotas estratégicas no Oriente Médio, por causa da guerra, obrigou o setor brasileiro de proteína animal a mudar sua logística para manter o abastecimento, principalmente de carne de frango.
A informação é do presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal, Ricardo Santin. Segundo ele, cerca de 70 mil toneladas por mês de carne de frango que usavam o Estreito de Ormuz precisaram ser redirecionadas.
Santin disse que mais da metade desse volume foi colocada no mercado por meio de caminhos alternativos. No entanto, os custos da operação precisaram ser revistos.
Para contornar o problema, as empresas passaram a usar rotas mais longas. Isso incluiu desembarques em portos da Arábia Saudita, Omã e Emirados Árabes Unidos antes de chegar ao estreito bloqueado.
Também foi usada uma rota que passa pela Turquia, com acesso ao Iraque por transporte terrestre.
A logística agora envolve etapas extras por terra. Em alguns casos, a carga chega à Arábia Saudita e segue de caminhão para outros países, como os Emirados Árabes Unidos, Catar e Kuwait.
Essa mudança encarece muito a operação, segundo Santin. O descarregamento em um país e o transporte terrestre para outro aumentam as despesas.
O aumento dos custos também é pressionado pelo preço do combustível para os navios e pela taxa de risco de guerra cobrada pelas empresas marítimas. A soma de todos esses fatores tornou a operação muito custosa.
Apesar do custo mais alto, o foco do setor tem sido garantir o fornecimento dos produtos. A prioridade é evitar que a população enfrente a falta de alimentos em meio ao conflito.
De acordo com o presidente da ABPA, o impacto financeiro tem sido compartilhado com os importadores. Mesmo com contratos fechados, os compradores no Oriente Médio têm colaborado para absorver parte dos custos extras.
Segundo Santin, muitas empresas não estão olhando apenas para o preço neste momento, mas sim para a manutenção do abastecimento. Há uma preocupação em evitar a falta de produtos e uma possível pressão sobre os preços dos alimentos durante a guerra.
O setor está fazendo esforços para que os países importadores não tenham mais essa dificuldade.
Apesar dos desafios, o setor conseguiu reduzir em parte o impacto logístico. Santin afirmou que a redução no fornecimento ficou entre 18% e 22%, graças a estratégias como o redirecionamento de cargas e o uso de armazenagem.
Ele destacou ainda que as empresas concorrentes passaram a colaborar entre si, trocando informações para enfrentar melhor este período de dificuldade.
Diante da instabilidade na região, o setor trabalha com diferentes cenários. A estratégia é manter as rotas alternativas e adaptar as operações conforme a guerra evolui.
Santin afirmou que vão continuar usando essas possibilidades alternativas. Mesmo se o conflito se prolongar, o setor tem conseguido manter o fluxo de produção e exportação, sem prejudicar o mercado interno brasileiro.


