Guerra no Oriente Médio eleva preços de fertilizantes em 39%
A tensão no Oriente Médio está afetando o mercado de fertilizantes e os custos do agronegócio brasileiro. Ações do setor podem piorar a situação. Segundo Maisa

A tensão no Oriente Médio está afetando o mercado de fertilizantes e os custos do agronegócio brasileiro. Ações do setor podem piorar a situação. Segundo Maisa Romanelo, engenheira agrônoma da Safras & Mercado, a paralisação de unidades da Mosaic em Minas Gerais reforça a vulnerabilidade do país. As unidades paradas produziam cerca de 1 milhão de toneladas de fosfato.
Para Romanelo, a notícia da paralisação é negativa. Ela mostra problemas na produção interna e aumenta a dependência do mercado externo em um momento de preços altos.
Os preços dos fertilizantes já subiram bastante desde o início do conflito. De acordo com a especialista, a ureia teve alta de cerca de 39%. O valor passou de US$ 550 para US$ 765 por tonelada no porto. Outros produtos também ficaram mais caros.
O sulfato de amônio teve valorização de 27%. O nitrato subiu 10%. Os níveis atuais estão próximos dos registrados em 2022, durante a guerra entre Rússia e Ucrânia.
Apesar da pressão, o risco de faltar fertilizante no Brasil é baixo no curto prazo, na avaliação da especialista. O país ainda pode importar de diferentes origens. O principal impacto será no custo para o produtor.
O problema não é a disponibilidade imediata, mas o preço. Há também o risco de concentração da demanda no segundo semestre, o que pode gerar gargalos logísticos.
Se os produtores atrasarem as compras, a situação pode piorar. Isso pode elevar ainda mais os preços e dificultar a entrega no momento do plantio.
Margens apertadas no campo
Com a alta dos fertilizantes e os preços atuais da soja e do milho, a relação de troca piorou. Segundo Romanelo, os indicadores já estão nos piores níveis dos últimos anos.
A situação varia conforme o perfil do produtor, mas a tendência é de margens mais apertadas. Há uma necessidade maior de planejamento.
Qualquer variável pode ter impacto nos custos e na rentabilidade. Isso exige decisões mais estratégicas, afirma a especialista.
Estratégia de compra exige cautela
Diante da instabilidade, a recomendação é evitar decisões concentradas. Para o cloreto de potássio, que não sofre impacto direto do conflito, a orientação é antecipar as compras. Os preços desse produto seguem em alta gradual.
Para fosfatados e nitrogenados, o cenário é mais incerto. A especialista recomenda compras parceladas e atenção às oportunidades de mercado.
Ela destaca que não é o momento de concentrar todas as compras. O ideal é diversificar as estratégias e acompanhar fatores como dólar, logística e evolução do conflito.
Mesmo se houver um alívio geopolítico, a expectativa é de que os preços não caiam rápido. A normalização depende da retomada das exportações no Oriente Médio e da regularização das rotas logísticas.
Com isso, o cenário para a safra 2026/27 segue com custos elevados. Há maior exposição ao mercado externo e necessidade de gestão mais rigorosa por parte dos produtores.
Os produtores rurais enfrentam um período de incerteza logística. A dependência de rotas marítimas que passam por zonas de conflito preocupa as associações do setor. A busca por fornecedores alternativos fora do Oriente Médio tem sido uma estratégia adotada por grandes traders, mas essa mudança também traz custos adicionais e precisa de tempo para se consolidar. O aumento no frete marítimo é outro fator que pressiona o preço final dos insumos. Especialistas do mercado financeiro acompanham os indicadores de risco geopolítico, que influenciam diretamente os preços futuros negociados nas bolsas de commodities. A variação cambial é outro ponto de atenção, já que as importações são feitas em dólar. Uma desvalorização do real frente à moeda americana encarece ainda mais a aquisição desses produtos no exterior, impactando o planejamento financeiro das propriedades agrícolas para a próxima safra.


