Dólar em queda pressiona preços da soja no Brasil
O mercado brasileiro de soja terminou a semana com pouca movimentação e negócios limitados. A queda do dólar e a perda de referência nos portos foram os princip

O mercado brasileiro de soja terminou a semana com pouca movimentação e negócios limitados. A queda do dólar e a perda de referência nos portos foram os principais motivos. Mesmo com valorização na Bolsa de Chicago, os preços internos não acompanharam.
De acordo com o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, o câmbio pressionou as cotações. “Apesar da alta na CBOT, os preços caíram cerca de R$ 1 no porto por causa do dólar”, disse. No mercado físico, o produtor ficou afastado, esperando melhores condições para vender, o que deixou a comercialização fraca durante toda a semana.
Preços da soja no Brasil
Os valores por saca em diferentes regiões do país foram os seguintes. Em Passo Fundo (RS), a cotação permaneceu em R$ 123,00. Em Santa Rosa (RS), o preço se manteve em R$ 124,00. Já em Cascavel (PR), houve uma queda de R$ 119,00 para R$ 118,00.
Na região de Rondonópolis (MT), o valor foi mantido em R$ 108,00. Em Dourados (MS), ocorreu uma alta de R$ 110,00 para R$ 111,00. Em Rio Verde (GO), a cotação se estabilizou em R$ 109,00.
Nos portos, a situação também foi de ajustes. Em Paranaguá (PR), o preço caiu de R$ 129,00 para R$ 128,00 por saca. Em Rio Grande (RS), a cotação se manteve em R$ 129,00 por saca.
Soja em Chicago
Os contratos futuros de soja fecharam em alta nesta sexta-feira na Bolsa de Chicago. O movimento elevou os ganhos acumulados na semana. Compras técnicas e o posicionamento de investidores antes do fim de semana ajudaram a sustentar os preços.
Os participantes do mercado preferiram cautela diante das negociações entre Irã e Estados Unidos sobre o conflito no Oriente Médio. O relatório de abril do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos foi acompanhado, mas considerado neutro.
O dia teve destaque para a forte alta do farelo. Segundo o analista da Safras & Mercado, Gabriel Viana, o movimento tem origem principalmente técnica. “Não reflete uma mudança nos fundamentos do mercado”, alertou. Ele explicou que a alta vem do desmonte de posições especulativas que apostavam na valorização do óleo e na queda do farelo.
Com o recuo do óleo nesta sessão, operadores começaram a reverter essas posições. Isso criou uma pressão compradora artificial sobre o farelo, sem relação com mudanças na oferta e demanda do produto.
Os fundamentos de médio prazo ainda apontam para um cenário de pressão sobre o farelo. A expectativa é de maior esmagamento nos Estados Unidos por causa de novos mandatos de biodiesel, maior oferta da América do Sul com a safra argentina e prêmios de exportação no Brasil ainda desalinhados.
Os contratos da soja em grão com entrega em maio fecharam com alta de 10,50 centavos de dólar, a US$ 11,75 3/4 por bushel. A posição julho foi cotada a US$ 11,91 1/4 por bushel, com alta de 10,25 centavos.
Nos subprodutos, a posição maio do farelo fechou com alta de US$ 14,60, a US$ 332,20 por tonelada. Já os contratos de óleo com vencimento em maio fecharam a 67,10 centavos de dólar, com queda de 0,60 centavo.
Câmbio
O dólar comercial encerrou o dia em queda de 1,03%. Essa desvalorização reforçou a pressão sobre os preços internos da soja e reduziu a competitividade das exportações do Brasil.
A falta de interesse do produtor em comercializar sua safra diante dos preços oferecidos continua a ser um ponto de atenção para o mercado doméstico. Essa postura, combinada com a volatilidade cambial, deve manter o ambiente de negócios cauteloso nos próximos dias. Analistas acompanham também o ritmo da colheita no país e os números de exportação para avaliar a direção dos preços.


