Diesel mais caro custa R$ 612 mi ao agro do RS
O aumento no preço do diesel no Rio Grande do Sul deve gerar um custo adicional de R$ 612,2 milhões para as principais lavouras do estado, segundo a Federação d

O aumento no preço do diesel no Rio Grande do Sul deve gerar um custo adicional de R$ 612,2 milhões para as principais lavouras do estado, segundo a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).
O preço do diesel S10 subiu 21,1% desde o início do conflito no Oriente Médio, passando de R$ 5,97 por litro em 27 de fevereiro para R$ 7,23 em 10 de abril.
No mesmo período, o barril de petróleo Brent teve alta de 37%, indo de US$ 70,99 para cerca de US$ 97,30.
De acordo com a Farsul, o diesel deixou de ser apenas um insumo e se tornou um dos principais fatores de risco econômico para o agronegócio gaúcho em 2026.
O aumento ocorre durante a colheita da safra de verão e o período de definição do plantio de inverno, quando a demanda por operações mecanizadas é maior.
Impacto varia entre as culturas
O custo extra não é o mesmo para todos os produtos. A cultura do arroz tem o maior impacto por hectare, com acréscimo de R$ 185,72, o que equivale a 2,95 sacos por hectare.
Para a soja, o aumento é de R$ 48,74 por hectare, ou 0,41 saco. No entanto, por ter a maior área plantada, a soja concentra o maior prejuízo total, estimado em R$ 331,2 milhões para o estado.
O milho tem acréscimo de R$ 69,01 por hectare, equivalente a 1,21 saco, e o trigo, de R$ 43,68 por hectare, ou 0,73 saco.
O estudo destaca que as margens de lucro para a soja já são pequenas e o endividamento no campo é alto. A perda de meio saco por hectare pode afetar a capacidade do produtor de cumprir compromissos financeiros.
Os preços do combustível também variam dentro do estado. Em levantamento em 35 municípios, o litro do diesel S10 variava de R$ 7,05 em Porto Alegre a R$ 7,95 em Bagé.
Possíveis cenários
Se o preço do diesel se estabilizar em R$ 8,00 por litro, o impacto no agronegócio gaúcho aumentaria para R$ 986,3 milhões.
Em um cenário mais adverso, com o combustível a R$ 9,00 por litro, o prejuízo total poderia chegar a R$ 1,47 bilhão.
O estudo questiona a eficácia de medidas como desonerações fiscais amplas para conter o problema. Segundo a Farsul, o benefício pode se diluir na economia e ter pouca efetividade para o setor produtivo, além de poder afetar as contas públicas e dificultar o controle da inflação.
A alta nos custos do diesel ocorre em um momento de preocupação com a logística de escoamento da safra. O transporte rodoviário, que depende fortemente desse combustível, é vital para levar a produção agrícola até os portos e centros de distribuição. Outros insumos, como fertilizantes, também têm seus custos de frete impactados pela valorização do ônus, pressionando ainda mais os custos de produção. A situação demanda atenção dos produtores para o planejamento das próximas safras.


