CNSeg prevê queda de 4% no seguro rural em 2026
A projeção para o seguro rural em 2026 foi revisada para baixo pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg). A previsão anterior era de um crescimento de

A projeção para o seguro rural em 2026 foi revisada para baixo pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg). A previsão anterior era de um crescimento de 2,3%, mas a nova estimativa indica uma queda de 3,9%.
Segundo o presidente da entidade, Dyogo Oliveira, o novo cenário se deve principalmente à falta de recursos suficientes no orçamento federal para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). Esse programa subsidia parte do custo do seguro para o produtor. Sem esse apoio, a contratação tende a diminuir.
“O principal fator é que ainda não tivemos, no orçamento deste ano, os recursos necessários para retomar a trajetória de crescimento do seguro rural”, afirmou Oliveira. “Isso acaba travando o mercado e levou à revisão da projeção.”
Dados apresentados pela CNseg mostram que a arrecadação do segmento rural alcançou R$ 12,9 bilhões em 2025, uma queda de 8,8% em relação a 2024. Em janeiro deste ano, a queda foi de 12,2%, totalizando R$ 1,1 bilhão.
Redução da cobertura
A proporção da área agrícola segurada no país caiu nos últimos anos. A entidade lembra que o Brasil chegou a ter cerca de 13,7 milhões de hectares da área plantada protegida, mas o índice recuou para pouco mais de 3 milhões em 2025. Isso representa 3,3% do total de área plantada do país.
Para Oliveira, a diminuição da cobertura cria um ciclo negativo. Com menos produtores contratando apólices, o risco médio da carteira aumenta. Isso pressiona o preço do seguro e desestimula novas contratações e a entrada de seguradoras no mercado.
“O seguro funciona pela diluição do risco. Quando menos produtores participam, o custo médio sobe e o mercado perde competitividade”, ressaltou.
A queda na proteção ocorre em um momento de aumento dos riscos climáticos para o agronegócio. De acordo com levantamento citado pela CNseg, o Brasil registrou perdas médias de cerca de R$ 60 bilhões por ano em eventos climáticos nos últimos anos. O setor agrícola é um dos mais impactados.
A entidade defende a criação de mecanismos para fortalecer o seguro rural no país. Entre as propostas estão a garantia de orçamento estável para o PSR e a criação de um fundo de estabilização do seguro rural. Esse fundo permitiria compensar anos de alta sinistralidade e reduzir a volatilidade dos prêmios.
PL contra contingenciamento de recursos
Também está em discussão no Congresso um projeto de lei relatado pelo deputado Pedro Lupion e de autoria da senadora Tereza Cristina. O projeto busca impedir o contingenciamento de recursos do programa e estruturar o fundo de estabilização.
Segundo Oliveira, o fortalecimento do seguro rural é visto como estratégico diante da mudança no modelo de financiamento do agronegócio brasileiro. Esse modelo, conforme ele, está cada vez mais baseado em capital privado.
“Com mais financiamento privado no campo, cresce a necessidade de mecanismos que transmitam segurança ao investidor. O seguro é uma peça importante para garantir estabilidade e confiança no sistema”, afirmou.
A expectativa é que a definição orçamentária e a evolução das discussões legislativas nos próximos meses sejam decisivas para reverter a tendência de queda e reaquecer o mercado de seguros no campo. A situação financeira dos produtores e as condições climáticas da próxima safra também serão fatores observados de perto pelo setor.


