Secretário admite que Plano Safra 2026/27 foi o "possível
O secretário-adjunto de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Wilson Vaz de Araújo, afirmou que o Plano Safra 2026/27 representa "o

O secretário-adjunto de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Wilson Vaz de Araújo, afirmou que o Plano Safra 2026/27 representa "o possível" diante das restrições orçamentárias da União e do aumento do custo para subsidiar as taxas de juros do crédito rural.
Em entrevista, o secretário reconheceu que a equipe do Ministério da Agricultura esperava um valor superior aos R$ 525,1 bilhões anunciados para a agricultura empresarial. "Na verdade, a gente trabalhava com a possibilidade de um pouquinho mais, pelo menos acompanhando a inflação do período. Só que, para construir um Plano Safra, você tem que analisar as fontes de recursos e a parte orçamentária do Tesouro. É um processo de negociação", afirmou.
Segundo Wilson Vaz, tanto a disponibilidade de recursos das principais fontes de financiamento quanto as limitações fiscais do Tesouro Nacional influenciaram o tamanho do programa.
Equalização dos juros elevou custo para o governo
De acordo com o secretário, um dos principais desafios foi o aumento do custo da equalização das taxas de juros, mecanismo pelo qual o governo compensa instituições financeiras para oferecer crédito rural com juros abaixo do mercado. Ele explicou que, apesar da redução das taxas, o gasto público para manter esse subsídio cresceu. "O custo de equalização aumentou substancialmente. Fizemos uma redução significativa da taxa de juros e isso elevou muito esse custo. Dentro das disponibilidades orçamentárias e da oferta das principais fontes de financiamento, esse foi o Plano Safra possível", disse.
Mesmo com as limitações, Wilson Vaz avalia que o programa atende às necessidades do setor. "De certo modo, a gente entende que o Plano Safra é um bom plano. Agora começa a fase operacional e vamos acompanhar os desdobramentos nos próximos meses."
Recursos controlados ganharam participação
O secretário também detalhou a distribuição dos recursos. O Plano Safra 2026/27 contará com R$ 213,9 bilhões em recursos com taxas controladas e R$ 311,2 bilhões em linhas de taxas livres. Wilson Vaz destacou que houve aumento da participação dos recursos controlados em relação ao ciclo anterior. "A relação dos recursos controlados melhorou em comparação ao ano passado. Antes eles representavam cerca de 38% do total e agora passam para 41%."
Endividamento não poderia adiar o Plano Safra
Questionado sobre críticas de que o endividamento rural limita o acesso ao crédito, o secretário afirmou que o governo não poderia adiar o lançamento do Plano Safra enquanto aguarda uma solução para a renegociação das dívidas. Segundo ele, embora exista um grupo de produtores com dificuldades, a maior parte do setor ainda reúne condições para contratar financiamento. "Tem um volume expressivo de produtores endividados, mas também há muitos produtores em condição de solvência e com acesso ao crédito praticamente liberado. A leitura que fazemos é que essa ainda é a maioria."
Para Wilson Vaz, suspender o programa prejudicaria os produtores aptos a acessar o crédito. "Você não poderia deixar de fazer um Plano Safra esperando equacionar a renegociação das dívidas, que está sendo discutida entre o Parlamento e o Ministério da Fazenda. Os produtores que tiverem condições de contratar crédito não serão impedidos por causa dessa negociação."
O secretário acrescentou que a regulamentação do Plano Safra deve ser concluída nesta terça-feira, com a publicação das resoluções do Conselho Monetário Nacional (CMN), permitindo que as instituições financeiras iniciem a contratação das operações para a safra 2026/27.


