Preço do boi dispara com exportações para China
O mercado físico do boi gordo registrou preços firmes e em alta durante a semana em várias regiões do país, devido à oferta limitada de animais. Conforme o anal

O mercado físico do boi gordo registrou preços firmes e em alta durante a semana em várias regiões do país, devido à oferta limitada de animais. Conforme o analista Fernando Iglesias, da Safras & Mercado, as escalas de abate continuam curtas na maior parte do território, o que mantém o cenário positivo para a valorização da arroba.
Com a menor disponibilidade de bois para abate, os frigoríficos já consideram medidas para adaptar suas atividades. Isso pode incluir mais ociosidade em abril e a chance de férias coletivas. A situação mostra a dificuldade em encontrar animais em volume adequado.
No setor externo, as exportações mantiveram ritmo forte. A China continua comprando grande quantidade de carne bovina do Brasil neste primeiro quadrimestre. Estimativas indicam que a cota de embarques pode acabar entre maio e meados de junho. Isso gera dúvidas para o terceiro trimestre, quando a oferta de animais confinados é maior, o que pode afetar as vendas ao exterior. Alguns grupos sugerem que o esgotamento pode ocorrer ainda antes, no começo de maio.
Os valores da arroba do boi gordo, no modelo a prazo, subiram de forma consistente nas principais praças até 9 de abril. Em São Paulo (Capital), a arroba chegou a R$ 370,00, um aumento de 2,78% frente aos R$ 360,00 da semana anterior. Em Goiás (Goiânia), o preço foi de R$ 355,00, alta de 4,41% sobre os R$ 340,00. Em Minas Gerais (Uberaba), a cotação ficou em R$ 350,00, avanço de 1,45% ante os R$ 345,00.
No Mato Grosso do Sul (Dourados), a arroba foi negociada a R$ 360,00, acréscimo de 2,86% sobre os R$ 350,00. Em Mato Grosso (Cuiabá), o valor atingiu R$ 360,00, subindo 1,41% em relação aos R$ 355,00. Em Rondônia (Vilhena), a arroba custou R$ 330,00, com alta de 3,13% perante os R$ 320,00 da semana passada.
Atacado
No atacado, os preços da carne bovina se mantiveram firmes na semana, com perspectiva de novos ajustes para cima em breve. A entrada dos salários na economia deve estimular a reposição de estoques entre atacado e varejo, ajudando a manter os valores.
Por outro lado, um ponto que limita altas maiores ainda é o comportamento de outras carnes, principalmente a de frango, que permanece com preços mais baixos e compete com a bovina.
Entre os cortes, o quarto dianteiro foi vendido a R$ 22,50 o quilo, alta de 2,27% na comparação com a semana anterior. Os cortes do traseiro bovino ficaram em R$ 27,50 o quilo, estáveis no período.
Comércio exterior
No comércio exterior, os resultados continuam positivos. Em março, as exportações brasileiras de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada tiveram receita de US$ 1,360 bilhão. Considerando os 22 dias úteis, a média diária foi de US$ 61,835 milhões. O volume total exportado chegou a 233,951 mil toneladas, com média diária de 10,634 mil toneladas. O preço médio por tonelada ficou em US$ 5.814,80.
Na comparação com março de 2025, houve crescimento: alta de 29% no valor médio diário exportado, avanço de 8,7% no volume médio diário e ganho de 18,7% no preço médio. A Secretaria de Comércio Exterior divulgou os dados, que reforçam o bom momento das exportações nacionais de carne bovina.
O movimento de alta no mercado interno reflete um cenário de ajuste entre oferta e demanda. A pecuária de corte segue com atenção às variações de preços, que impactam toda a cadeia produtiva. A conjuntura atual combina fatores domésticos e internacionais, com os produtores acompanhando os desdobramentos das vendas para o exterior e a disponibilidade de animais nos currais. A expectativa é que o mercado se mantenha em movimento nos próximos dias, com os agentes avaliando as informações sobre abates e novos negócios.


