Piracanjuba investe R$ 612 mi no whey para crescer
A Piracanjuba, grupo goiano de laticínios, está fazendo uma grande aposta no whey protein para buscar maior rentabilidade. A empresa tem faturamento de 12 bilhõ

A Piracanjuba, grupo goiano de laticínios, está fazendo uma grande aposta no whey protein para buscar maior rentabilidade. A empresa tem faturamento de 12 bilhões de reais e investiu 612 milhões de reais em uma nova fábrica no Paraná.
O objetivo é processar o soro do leite, um subproduto que antes era muitas vezes descartado, e transformá-lo em insumos para bebidas e suplementos proteicos. Essa iniciativa é uma resposta às pressões do mercado, como inflação e margens apertadas, que dificultam o crescimento baseado apenas em volume e preço baixo.
O presidente do grupo, Luiz Claudio Lorenzo, afirmou que a ambição é levar os suplementos proteicos para mais supermercados. A empresa quer ser um vetor de mudança no setor, aproveitando a crescente demanda por proteínas.
Atualmente, cerca de 85% do whey consumido no Brasil é importado. Com a nova fábrica, a Piracanjuba espera aumentar a produção nacional e ocupar um espaço ainda pouco explorado pela indústria local. O mercado brasileiro de suplementos deve atingir 9,5 bilhões de reais até 2028.
A empresa reconhece os limites do modelo tradicional, que prioriza produtos com preços baixos. A compressão das margens a levou a buscar itens com maior valor agregado. Para isso, também adquiriu a marca de suplementos Emana em 2024, ampliando seu portfólio para além dos lácteos.
Essa aquisição permite acessar um público mais interessado em bem-estar e com maior disposição para pagar por esses produtos. No entanto, as bebidas proteicas ainda representam cerca de 1% do faturamento do grupo, indicando que há um longo caminho de crescimento.
Um dos principais desafios é que produtos hiperproteicos ainda são de nicho no Brasil, consumidos por apenas 5% da população. Levar esses itens para o consumo cotidiano exige uma mudança gradual nos hábitos dos brasileiros.
A companhia, que completou 70 anos, passa por um momento de inflexão. Ela expandiu sua operação nacionalmente e recentemente passou por uma mudança na governança, com a chegada do primeiro CEO de fora da família controladora.
A estratégia agora é crescer com mais margem, não apenas com volume. O leite continua sendo a base do negócio, mas a verticalização da produção e o foco em subprodutos de alto valor, como o whey, são vistos como caminhos para o futuro.
O risco, porém, é que essa transição dependa de uma mudança no comportamento do consumidor que pode ser mais lenta do que o planejado. O sucesso da aposta está diretamente ligado à capacidade da empresa de popularizar esses produtos no mercado nacional.


