Pesquisador da Embrapa vence prêmio de carbono neutro
O pesquisador Júnior Melo Damian, ligado à Embrapa Agricultura Digital, foi o primeiro brasileiro a ganhar o Sustainability Carbon Neutrality Award, na edição 2

O pesquisador Júnior Melo Damian, ligado à Embrapa Agricultura Digital, foi o primeiro brasileiro a ganhar o Sustainability Carbon Neutrality Award, na edição 2025/2026. O prêmio reconhece contribuições acadêmicas e sociais para a neutralidade de carbono. A informação foi divulgada neste domingo (18). Damian faz parte da equipe do projeto PROCarbono, desenvolvido em parceria com a Bayer.
Damian é orientado pelo pesquisador Luis Barioni, da Embrapa Agricultura Digital, que lidera o PROCarbono. O trabalho no projeto foi um dos motivos para a premiação. A pesquisa foca na predição de carbono no solo em condições de agricultura tropical, com uso em iniciativas de monitoramento, reporte e verificação (MRV).
Segundo Damian, o modelo foi publicado na edição de maio/junho da revista científica Soil Science Society of America Journal. A ferramenta estima o carbono acumulado no solo, o que pode dar suporte técnico a projetos de crédito de carbono e a práticas produtivas com menos emissão. O texto divulgado não informa valores econômicos, áreas de aplicação ou número de propriedades atendidas.
O pesquisador também é um dos autores do artigo Déficit de carbono no solo devido à mudança do uso da terra no Brasil, publicado em janeiro na revista Nature Communications. O estudo estimou um déficit de 1,4 bilhão de toneladas de carbono ligado à conversão de vegetação nativa em áreas agropecuárias nos seis biomas brasileiros.
De acordo com os autores, os dados podem orientar políticas de mitigação de gases de efeito estufa ao indicar áreas com maior potencial de aumento de carbono no solo. O estudo cita práticas agropecuárias sustentáveis, como consórcio de culturas, como parte das estratégias possíveis. O artigo foi escrito em coautoria com pesquisadores da Embrapa Agricultura Digital, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP) e da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).
O reconhecimento internacional mostra a importância das pesquisas sobre carbono no solo para a agricultura brasileira. Com base nos estudos já publicados, o avanço de modelos de MRV e de métricas para a produção tropical pode ampliar a base técnica para programas de crédito, regulação e práticas de baixo carbono. O material divulgado não detalha prazos ou escala de adoção no campo.


