Embrapa lança trigo tropical para ampliar produção no Cerrado
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) lançou nesta quarta-feira (20), durante a AgroBrasília 2026, duas novas cultivares de trigo voltadas ao

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) lançou nesta quarta-feira (20), durante a AgroBrasília 2026, duas novas cultivares de trigo voltadas ao cultivo em ambiente tropical. A BRS Savana foi desenvolvida para sistema de sequeiro, com tolerância ao calor, resistência à seca e à brusone. Já a BRS Cracker é destinada ao mercado de biscoitos, com menor força de glúten e potencial produtivo elevado em sistema irrigado.
Segundo a Embrapa, os novos materiais foram desenvolvidos ao longo de mais de 40 anos de pesquisas em parceria entre a Embrapa Cerrados, em Planaltina (DF), e a Embrapa Trigo, em Passo Fundo (RS). A expectativa da instituição é ampliar a área cultivada com trigo no Cerrado dos atuais 400 mil hectares para 1 milhão de hectares nos próximos dez anos.
De acordo com o pesquisador Julio Albrecht, da Embrapa Cerrados, a BRS Cracker surgiu a partir de demanda da indústria moageira por farinhas com baixa força de glúten, específicas para biscoitos. A cultivar é uma seleção da BRS 264 e pode alcançar produtividade entre 8 e 9 toneladas por hectare em sistema irrigado, além de apresentar boa resistência à brusone, doença que limita a expansão do trigo no Brasil Central.
A BRS Savana, por sua vez, foi direcionada às condições de menor regularidade de chuvas no Cerrado. Segundo Albrecht, o material reúne tolerância ao calor, resistência à seca e potencial produtivo entre 4 e 5 toneladas por hectare em sequeiro. A proposta é aumentar a segurança produtiva em áreas com restrição hídrica.
Dados apresentados pela Embrapa mostram que o Cerrado respondeu por 16% da produção brasileira de trigo em 2023, com mais de 1,3 milhão de toneladas. Entre 2021 e 2023, a área regional passou de 200 mil para 400 mil hectares. Para a instituição, a expansão do cereal na segunda safra, em rotação com soja, milho, algodão e sorgo, pode ampliar opções agronômicas e atender parte da demanda hoje suprida por importações.
A continuidade do melhoramento genético para sistemas irrigados e de sequeiro deve definir o ritmo de expansão da cultura no Cerrado. Pelos dados apresentados pela Embrapa, o avanço dependerá da adaptação dos materiais às condições climáticas, da validação no campo e da demanda da indústria por trigos com diferentes padrões de qualidade.


