Agro sai da bolha e mostra inovação à sociedade
Na última semana, São Paulo recebeu a primeira edição do São Paulo Innovation Week (SPIW), festival que já nasce com a ambição de se consolidar como o maior enc

Na última semana, São Paulo recebeu a primeira edição do São Paulo Innovation Week (SPIW), festival que já nasce com a ambição de se consolidar como o maior encontro de inovação da América Latina.
Realizado na Mercado Livre Arena Pacaembu e na FAAP, o evento reuniu, ao longo de quatro dias, mais de 1.500 palestrantes distribuídos em 33 palcos simultâneos, promovendo debates sobre tecnologia, ciência, negócios, cultura, comportamento e transformação social.
Entre as diversas trilhas do evento, o agronegócio ganhou espaço ao discutir agricultura digital, bioenergia, cooperativismo, sustentabilidade, segurança alimentar, comunicação e inovação. E talvez seja justamente esse o ponto mais importante da presença do agro em um ambiente como esse: mostrar que inovação no campo vai muito além de máquinas modernas ou novos produtos.
A inovação no agro também está nas novas formas de produzir, na capacidade de escalar práticas ligadas à agricultura regenerativa, no uso inteligente de dados, no desenvolvimento de soluções sustentáveis e na construção de modelos que conciliem produtividade e preservação ambiental. Mas existe um aspecto ainda mais estratégico nessa participação: falar do agro fora dos lugares comuns do agro.
Ampliando a compreensão da sociedade
Historicamente, o setor costuma dialogar em ambientes compostos majoritariamente por públicos já familiarizados e simpáticos ao tema, os chamados “convertidos”. Eventos técnicos, feiras setoriais que se repetem anualmente e fóruns especializados são fundamentais, mas não mais suficientes.
Se quisermos ampliar a compreensão da sociedade sobre a importância do agro, é preciso levar essa conversa para outros espaços, com diferentes públicos e enfoques e abordando novas linguagens.
Estar em um festival de inovação, ao lado de debates sobre tecnologia, cidades inteligentes, inteligência artificial, economia criativa e transformação social, ajuda a reposicionar o agro como um setor conectado aos grandes desafios contemporâneos e que traz consigo pautas positivas e propositivas.
Essa mudança de narrativa é ainda mais importante quando falamos da agenda de mudanças climáticas, que foi amplamente debatida durante o evento. O agro brasileiro tem desafios relevantes, mas também possui enorme potencial para ser parte da solução.
O desenvolvimento de tecnologias voltadas à sustentabilidade, a recuperação de áreas degradadas, o avanço da bioenergia e biocombustíveis, a agricultura de baixo carbono e as práticas regenerativas mostram que o campo pode contribuir diretamente para uma economia mais sustentável.
Por isso, ocupar espaços como o São Paulo Innovation Week não é apenas uma oportunidade de networking ou visibilidade. É uma oportunidade de mudar a comunicação com a sociedade e a sua percepção. De mostrar que o agro está profundamente ligado à inovação, à ciência, à tecnologia e ao futuro. O Brasil possui uma das agriculturas mais competitivas do mundo justamente porque investiu em pesquisa, desenvolvimento e adaptação tecnológica ao longo das últimas décadas.
E esse caminho precisa continuar sendo incentivado. Fortalecer a inovação no agro é fortalecer a capacidade do Brasil de produzir mais, de forma sustentável, e de responder aos desafios do futuro com protagonismo.
O agro brasileiro já mostrou sua capacidade de inovar na produção. Agora, tem a oportunidade de inovar também na forma de se comunicar com o restante da sociedade.
Rebeca Lucena é diretora de Relações Governamentais da BMJ Consultores Associados e cofundadora da rede Women Inside Trade (WIT). O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores.


