Trigo no RS: plantio começa com área indefinida
A semeadura do trigo começou de forma incipiente no Rio Grande do Sul, acompanhando a abertura do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para os principa

A semeadura do trigo começou de forma incipiente no Rio Grande do Sul, acompanhando a abertura do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para os principais materiais usados no estado. Segundo o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, divulgado nesta quinta-feira (21), a definição da área da safra 2026 ainda está em levantamento, em um cenário marcado por cautela dos produtores.
De acordo com a Emater/RS-Ascar, a decisão de plantio é influenciada por custos de produção elevados, maior restrição ao crédito rural, limitações na cobertura securitária e pela perspectiva de maior risco climático, diante da possível atuação do El Niño durante o inverno e a primavera. A combinação desses fatores tem levado produtores a revisar o tamanho da área e também o nível tecnológico empregado nas lavouras.
Há tendência de redução da área cultivada com trigo no estado, associada à menor expectativa de rentabilidade e à substituição por alternativas de inverno, como canola, plantas de cobertura e sistemas com milho do cedo seguido de soja safrinha. A assistência técnica também observa aumento no uso de sementes próprias e menor demanda por sementes fiscalizadas.
Na safra 2025, o Rio Grande do Sul cultivou 1.166.163 hectares de trigo, com produtividade média de 2.968 quilos por hectare e produção de 3.458.083 toneladas, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os números de 2026 ainda não foram consolidados.
Entre as demais culturas de inverno, a aveia-branca avança com expectativa de manutenção de área. Em 2025, foram 393.135 hectares, com produtividade média de 2.394 quilos por hectare. A canola apresenta tendência de expansão e somou 174.394 hectares no último ciclo, com produtividade média de 1.653 quilos por hectare. Já a cevada tem perspectiva de retração, mesmo com contratos da indústria cervejeira, porque chuvas mais frequentes podem comprometer calibre, sanidade e qualidade industrial do grão.
O início do plantio dentro da janela do Zarc organiza o calendário da safra de inverno, mas a definição efetiva de área no trigo dependerá do avanço das condições de crédito, seguro e do comportamento climático nas próximas semanas. Até a conclusão dos levantamentos da Emater/RS-Ascar, não há base fechada para projetar o tamanho final da safra gaúcha de 2026.



