Brasil pode liderar revolução global dos pulses
Nesta segunda-feira (11), o Brasil foi representado no plenário do GPC, a Global Pulse Confederation, o principal fórum mundial do setor de pulses. A presença n

Nesta segunda-feira (11), o Brasil foi representado no plenário do GPC, a Global Pulse Confederation, o principal fórum mundial do setor de pulses. A presença no evento, que reuniu líderes globais, compradores, exportadores, pesquisadores e representantes de dezenas de países, foi vista como um sinal de que o país ocupa um espaço estratégico no debate internacional sobre segurança alimentar.
O desafio não era apenas apresentar números de exportações recordes ou novas cultivares, mas posicionar o Brasil como parte da solução global para estabilidade e coordenação de mercado. O setor global de pulses ainda enfrenta um ciclo ineficiente, com produtores vendendo abaixo do custo em um ano e compradores enfrentando preços recordes e escassez no seguinte. Essa volatilidade prejudica toda a cadeia produtiva.
O Brasil chega a este debate em um patamar diferente do passado. Atualmente, o país conta com mais de 20 cultivares exportáveis, desenvolvidas por instituições como Embrapa e Instituto Agronômico de Campinas (IAC). O trabalho de pesquisadores como os doutores Alisson Chiorato e Sérgio Carbonell ajudou a transformar o país em um fornecedor diversificado e competitivo.
Houve avanços em áreas como rastreabilidade, agricultura tropical regenerativa, uso de biológicos, gestão da água e proteínas concentradas de feijão. Uma nova fronteira tecnológica que ganha espaço é o uso de nanofertilizantes. A tecnologia permite aumentar a eficiência de absorção de nutrientes, reduzir perdas e utilizar menores volumes de aplicação, o que melhora o aproveitamento dos recursos no solo.
Consumo e mercado
O Brasil também começa a avançar em proteínas concentradas de feijão e em produtos instantâneos para o consumidor urbano. Um ponto considerado estratégico é manter e ampliar o consumo de pulses entre as novas gerações. O país começou a estudar iniciativas globais de aumento de consumo, ligadas à alimentação escolar e educação alimentar.
O Viva Feijão surge nesse contexto, como uma tentativa de reposicionar o feijão dentro de uma discussão sobre saúde pública e estabilidade de mercado. A avaliação é de que o Brasil precisa deixar de ser apenas fornecedor de pulses e assumir um papel de articulador global do setor.
*Marcelo Lüders é presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe).
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