Guerra no Médio gera crise de fertilizantes no Brasil
A escalada das tensões no Oriente Médio acendeu um alerta no agronegócio brasileiro. A possibilidade de ataques a infraestruturas estratégicas no Irã pode afeta

A escalada das tensões no Oriente Médio acendeu um alerta no agronegócio brasileiro. A possibilidade de ataques a infraestruturas estratégicas no Irã pode afetar o abastecimento global de fertilizantes e pressionar os custos de produção no país.
A avaliação é de Manoel Mário, diretor-presidente da Academia Latino-Americana do Agronegócio (Alagro). Para ele, o cenário é preocupante e pode ter consequências para o Brasil, que depende principalmente de insumos importados.
O principal ponto de atenção é o Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 25% do petróleo mundial e grande parte do gás natural. Segundo Manoel Mário, um bloqueio ou instabilidade na região afeta a logística global, podendo elevar custos de transporte e produção. "Se houver ataques a estruturas energéticas, o impacto será global. O Brasil pode estar entre os países mais prejudicados", afirmou.
O dirigente da Alagro aponta dois caminhos possíveis diante da crise. No primeiro, com o desbloqueio da rota marítima, os preços dos fertilizantes ficam pressionados, mas o fluxo global tende a se normalizar. No segundo, com a manutenção das restrições, há queda na oferta de insumos e aumento maior dos preços. Neste último caso, os efeitos seriam mais severos, com impacto direto sobre a produtividade agrícola.
Atualmente, o Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome. Essa dependência amplia a exposição do setor a crises internacionais. Segundo Manoel Mário, o país ainda não tem uma resposta estratégica para enfrentar esse tipo de risco. "É preocupante não termos um comitê para discutir esses impactos. A dependência externa é alta e exige políticas públicas mais consistentes", destacou.
A possível escassez de fertilizantes ocorre em um momento sensível para o agro. Após safras exigentes, a reposição de nutrientes no solo é importante para manter a produtividade. Sem acesso adequado aos insumos, produtores podem ter queda de rendimento e aumento nos custos. Além disso, o encarecimento do petróleo tende a impactar toda a cadeia, elevando custos logísticos.
O alerta não se restringe ao Brasil. A combinação entre conflito geopolítico, energia cara e restrições logísticas pode afetar o abastecimento global de alimentos. Para Manoel Mário, o cenário exige atenção imediata. "Espero que esse conflito seja cessado rapidamente. Caso contrário, os impactos serão sentidos em todo o planeta", afirmou.
A imagem que acompanha a matéria foi gerada por inteligência artificial para ilustrar a situação. O conflito na região tem sido monitorado de perto por analistas do mercado de commodities e do setor agrícola, que avaliam os efeitos em cadeia de uma interrupção prolongada no fluxo de insumos.
O Brasil, como um dos maiores produtores agrícolas do mundo, sentiria os efeitos rapidamente. A alta nos preços dos fertilizantes já era uma preocupação antes da escalada das tensões, e o novo cenário pode agravar a situação. A busca por fornecedores alternativos e o investimento em fertilizantes nacionais são temas que voltam a ganhar destaque nas discussões do setor.


