Embrapa: canola de 2ª safra reduz emissões da aviação em 55%
O uso de canola de segunda safra para produção de combustível sustentável de aviação (SAF) pode reduzir em até 55% as emissões da aviação de gases relacionados

O uso de canola de segunda safra para produção de combustível sustentável de aviação (SAF) pode reduzir em até 55% as emissões da aviação de gases relacionados ao efeito estufa (GEE), de acordo com estudo da Embrapa.
A pesquisa analisa o ciclo de vida completo do SAF nacional a partir do cereal de inverno, desde o cultivo da matéria-prima até a queima do combustível no avião. O potencial de redução de emissões é comparado ao uso de querosene fóssil (QAV Jet-A1). O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) e da Embrapa Agroenergia e Meio Ambiente e foi divulgado nesta quarta-feira (22) pela instituição.
Limitações técnicas e regulatórias
O alcance do percentual de redução em cenário otimista depende de condições ideais de adoção e de mudanças na regulamentação do setor, conforme a analista da Embrapa Meio Ambiente Priscila Sabaini. Existem limitações técnicas e regulatórias que restringem a substituição do combustível fóssil pelo SAF, como o limite de 50% de mistura do SAF a partir de óleos e gorduras ao querosene de aviação. Outra barreira citada no estudo é o fato de a canola não estar contemplada na rota Hefa (Hydroprocessed Esters and Fatty Acids) do RenovaBio para certificação da intensidade de carbono e emissão de Créditos de Descarbonização (CBIOs).
Alternativas ao setor aéreo
A pesquisa aponta que o avanço do uso da canola de segunda safra na produção de SAF exige evolução tecnológica, melhoria de práticas agronômicas, ampliação da produção de SAF e superação de entraves regulatórios. "O setor aéreo precisa de alternativas tecnicamente viáveis para cumprir metas climáticas globais, e o SAF é hoje a principal estratégia de curto e médio prazo. Nosso diferencial foi analisar a canola cultivada como segunda safra no Brasil, em rotação com a soja, sob condições tropicais ainda pouco representadas na literatura internacional", afirma Giulia Lamas, colaboradora da Embrapa Meio Ambiente e doutoranda da Universidade de Brasília, que participou do estudo.
A análise considerou dados de produtores brasileiros baseados em condições tropicais de cultivo em sistema de segunda safra e a rota Hefa de transformação de óleos vegetais em combustível de aviação por processos de hidrotratamento. Os resultados indicam que a fase agrícola responde pela maior parcela das emissões no ciclo de vida do SAF de canola. O cultivo contribui com aproximadamente 34,2 g CO2 equivalente por megajoule (MJ), devido ao uso de fertilizantes e emissões de óxido nitroso (N2O) do solo.
Sem abertura de novas áreas
O estudo destaca que o cultivo da canola em segunda safra, em rotação com soja, reduz a pressão por abertura de novas áreas e mitiga os impactos associados ao uso da terra. Segundo Bruno Laviola, chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agroenergia e pesquisador responsável pela tropicalização da canola, o Brasil tem vantagem. "Aqui a canola não entra como cultura principal que 'disputa' área, mas como opção de segunda safra no inverno e na safrinha, em sistemas integrados de rotação. Isso melhora o desempenho de sustentabilidade da canola brasileira em relação a regiões onde é cultivada como safra única", destaca.
A produção e o uso de fertilizantes, especialmente nitrogenados, são o principal ponto crítico do sistema, tanto pelas emissões quanto pelos impactos sobre água e ecossistemas. Conforme o pesquisador da Embrapa Agroenergia Alexandre Cardoso, o uso de bioinsumos na produção da planta ajuda a reduzir as emissões. A etapa de conversão industrial via Hefa contribui com cerca de 12,8 g CO2 eq./MJ com base no uso de hidrogênio fóssil. A pesquisa considera também a substituição do hidrogênio fóssil pelo hidrogênio renovável, de baixo carbono, o que possibilita a redução entre 86% e 94% das emissões de gases de efeito estufa na etapa industrial. "A integração entre bioenergia e hidrogênio renovável pode reduzir de forma importante a intensidade de carbono dos combustíveis de aviação", destacou Silveira.
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