Aprosoja critica Plano Safra: crédito menor e mais caro
A Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) afirmou que o Plano Safra 2026/27 teve apenas um aumento nominal nos recursos para a agricultur

A Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) afirmou que o Plano Safra 2026/27 teve apenas um aumento nominal nos recursos para a agricultura empresarial. A entidade alertou para uma redução real do crédito disponível ao produtor rural.
Segundo a Aprosoja, o governo anunciou R$ 525,1 bilhões para o setor empresarial, um aumento nominal de 1,7% em relação ao ciclo anterior. No entanto, os recursos para custeio e comercialização caíram de R$ 414,7 bilhões para R$ 384,9 bilhões, uma redução de R$ 29,8 bilhões. Considerando a inflação, a entidade calcula que o plano representa uma contração real de aproximadamente R$ 13,6 bilhões.
A associação avalia que o cenário mostra uma mudança na estrutura do crédito rural, com retração das linhas tradicionais e maior participação de instrumentos privados, como a Cédula de Produto Rural (CPR). Dados da entidade indicam que, até maio de 2026, o crédito rural empresarial contratado caiu cerca de 5% em relação ao mesmo período da safra anterior. Sem as CPRs, a queda nas linhas tradicionais chegou a aproximadamente 14%.
A Aprosoja destacou que parte dos recursos anunciados é destinada à renegociação de passivos, o que reduz a capacidade de financiar uma nova safra. O problema ocorre em um momento de elevado endividamento do setor, causado por juros altos, perdas climáticas, queda dos preços das commodities e aumento dos custos de produção.
Outro ponto de preocupação é a Resolução nº 5.314/2026 do Conselho Monetário Nacional (CMN). A norma condiciona a prorrogação das operações de crédito à decisão das instituições financeiras e à comprovação de capacidade de pagamento do produtor. Para a Aprosoja, a medida reduz a flexibilidade em um período de maior necessidade de renegociação.
A entidade reconhece como positivas as iniciativas para fortalecer o seguro rural e os instrumentos de gestão de risco. Mas ressalta que a eficácia dessas políticas depende da oferta de recursos e de regras compatíveis com a realidade dos produtores.
Entre as principais reivindicações, a Aprosoja defende a ampliação dos recursos para custeio e comercialização. Também pede uma solução para o endividamento rural, baseada no Projeto de Lei nº 5.122/2023. O projeto prevê uma linha especial de financiamento com recursos do Fundo Social do Pré-Sal, carência, juros compatíveis e possibilidade de incluir diferentes dívidas rurais.
Para a associação, políticas públicas de acesso ao crédito e reorganização financeira são necessárias para manter a competitividade do agronegócio e garantir a continuidade da produção agrícola.


