R$ 10,8 milhões turbinam IA para análise de solo no agro
A Agrorobótica, empresa de São Carlos (SP) parceira da Embrapa Instrumentação, recebeu um aporte de R$ 10,8 milhões para ampliar a plataforma de inteligência ar

A Agrorobótica, empresa de São Carlos (SP) parceira da Embrapa Instrumentação, recebeu um aporte de R$ 10,8 milhões para ampliar a plataforma de inteligência artificial AGLibs. O investimento foi oficializado nesta quinta-feira (21), durante a Agrishow 2026, e também envolve recursos do Banco do Brasil. Segundo as informações divulgadas, a tecnologia já monitora mais de 1 milhão de hectares em 19 estados brasileiros.
A plataforma utiliza a tecnologia Libs, sigla para espectroscopia de emissão óptica por plasma induzido por laser, para gerar mais de 19 indicadores agronômicos. Entre eles está a análise de fertilidade do solo em cerca de 20 segundos, ante aproximadamente 20 dias nos métodos laboratoriais convencionais, de acordo com a empresa.
O foco do aporte é dar escala à solução, estruturar processos internos e ampliar a entrega de valor aos clientes. Segundo Fábio Angelis, CEO da Agrorobótica, a empresa também prevê iniciar no segundo semestre a geração dos primeiros créditos de carbono no solo para clientes que começaram a operar com a tecnologia em 2022. Ele afirmou que esse mercado tem horizonte de longo prazo e ciclos de verificação que costumam ocorrer a cada quatro ou cinco anos.
Para participar desse tipo de programa, o produtor precisa adotar práticas com adicionalidade comprovável, como plantio direto, integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), uso de fertilizantes orgânicos, plantas de cobertura e irrigação. A mensuração, o reporte e a verificação do carbono no solo são etapas obrigatórias. Segundo a empresa, a tecnologia tem certificação internacional da Verra há quatro anos.
A parceria com a Embrapa Instrumentação também inclui contratos de pesquisa, publicações e desenvolvimento de propriedade intelectual. Rafael Campos, diretor da Vox Capital, afirmou que a combinação entre tecnologia protegida, escalabilidade e validação técnica foi um dos fatores considerados no investimento.
Para o setor produtivo, o avanço dessa plataforma pode ampliar a velocidade de diagnóstico do solo e apoiar decisões de manejo com base em dados. O impacto efetivo sobre produtividade, redução de insumos e geração de créditos de carbono, no entanto, depende da adoção das práticas recomendadas, da validação em campo e da evolução do mercado voluntário de carbono.



