Reformas estruturais: o que falta para o Brasil governar o futuro
O Brasil enfrenta uma crise de planejamento de longo prazo, segundo análise do comentarista Miguel Daoud. O país possui recursos naturais abundantes, como segur

O Brasil enfrenta uma crise de planejamento de longo prazo, segundo análise do comentarista Miguel Daoud. O país possui recursos naturais abundantes, como segurança alimentar, matriz energética diversificada, petróleo e minerais estratégicos, mas não consegue traduzir essa riqueza em crescimento econômico consistente.
Para Daoud, o problema central está na falta de foco em reformas estruturais. O debate político em Brasília se concentra em medidas paliativas, como isenções fiscais e subsídios temporários, que tratam apenas os sintomas da estagnação, e não as causas. Enquanto isso, a carga tributária sobre quem produz e consome aumenta para cobrir os gastos de um Estado ineficiente.
O autor aponta que a raiz do problema está na qualidade do debate público e na governança. O Parlamento, segundo ele, é dominado por um "populismo de engajamento", que prioriza pautas de curto prazo com apelo digital em vez de projetos de Estado para as próximas décadas. O horizonte do país fica limitado ao próximo ciclo eleitoral.
Para superar essa situação, Daoud defende que é preciso atacar três pilares. O primeiro é a segurança jurídica e a simplificação real, criando um ambiente onde empreendedores gastem tempo inovando, e não decifrando burocracias. O segundo é o investimento em infraestrutura e logística, para que a produção de alimentos e minérios não tenha sua margem de lucro consumida por estradas ruins e falta de ferrovias. O terceiro pilar é a educação voltada para a produtividade, para qualificar a mão de obra e agregar valor à produção nacional, em vez de exportar apenas matéria-prima.
A conclusão do comentarista é que o Executivo e o Congresso precisam parar de administrar o caos com "analgésicos fiscais". O Brasil necessita de um diagnóstico correto e de uma cirurgia estrutural para transformar seu potencial geográfico em prosperidade real.
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural.
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